Nomes Emergentes na Política Fluminense
Com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência, a direita no Rio de Janeiro começa a afunilar suas opções para o governo estadual. O ex-presidente Lula, de férias no Rio, utilizou as redes sociais para mostrar um lado mais descontraído, mas a política local não dá margem para relaxamento. Ao mesmo tempo, no Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes saiu em defesa de Ricardo Lewandowski, após o ex-ministro da Justiça sofrer uma série de ataques provenientes da direita.
No cenário estadual, o nome de Felipe Curi, atual chefe da Polícia Civil, era considerado o favorito por Flávio Bolsonaro. Contudo, nas últimas semanas, o secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas, ganhou força como candidato consensual. Aos 36 anos, e filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, Ruas é visto como um político em ascensão, especialmente por sua ligação com uma pasta de grande capilaridade no estado.
No entanto, aliados próximos a Ruas expressam preocupações sobre sua candidatura. O deputado, que também aspira a presidir a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) no próximo biênio, teria muito a perder ao se lançar na corrida para o governo, especialmente diante do forte favoritismo do atual prefeito do Rio, Eduardo Paes, do PSD. A possibilidade de Ruas entrar na disputa não é totalmente descartada, mas a pressão por um novo mandato pode fazer com que ele reconsidere.
Desafios para o Governador Castro
Com os planos do atual governador, Cláudio Castro, de concorrer ao Senado, a urgência de uma nova estratégia política se torna evidente. Castro deve se desincompatibilizar do cargo até abril, conforme exigido pela Justiça, o que significa que a escolha de um novo governador, ainda que de forma indireta, se faz necessária. O vice-governador Thiago Pampolha, que foi eleito em 2022, já tomou posse no Tribunal de Contas do Estado (TCE), deixando o cargo vago.
Entre os nomes cogitados para essa eventual eleição indireta, destaca-se Nicola Miccione, atual secretário da Casa Civil. Com uma carreira técnica consolidada no Banco do Nordeste, Miccione é considerado um perfil ideal para um mandato-tampão, especialmente em um momento delicado para o estado, que enfrenta um déficit estimado em R$ 19 bilhões até 2026. O governo precisa implementar cortes e políticas que podem não ser populares, e, segundo assessores de Castro, não faz sentido escolher alguém que busque reeleição em outubro para essa função temporária.
Articulações e Pressões nos Bastidores
Enquanto isso, a dinâmica política da direita e do Centrão no estado revela um clima de insatisfação com Eduardo Paes. Dirigentes alegam que o prefeito tem dificultado a negociação de espaços de poder em sua administração. Alguns observadores acreditam que as novas articulações são uma maneira de pressioná-lo a ceder mais nas futuras coligações e nas composições de governo.
Um ponto crítico é a área da Saúde, tradicionalmente controlada pelo PP. No entanto, Paes pode hesitar em abrir mão de um cargo tão estratégico sem ter alguém de sua confiança à frente. O mesmo se aplica a outras pastas essenciais, como Educação, Segurança Pública e Fazenda. Para os aliados de Paes, a vitória nas eleições não deve depender de um arranjo que mantenha a estrutura governamental inalterada.
Possíveis Vice-Candidatos e Coligações
Entre os nomes que surgem como opções para vice na chapa, Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu pelo PP, é considerado ideal tanto por Paes quanto pelos grupos da direita à procura de alternativas. Recentemente, Lisboa foi mencionado como possível parceiro de coligação do candidato Douglas Ruas, mas o clima entre os aliados de Paes permanece otimista em relação a essa articulação.
Outro nome que pode ser cogitado para a vice é Wladimir Garotinho, prefeito de Campos dos Goytacazes e também do PP. Garotinho mantém um diálogo contínuo com Paes, embora o relacionamento tenha sido marcado por tensões recentes, como um desentendimento nas redes sociais entre Paes e Anthony Garotinho, seu pai e ex-governador. As articulações continuam intensas enquanto todos buscam posicionar suas peças no tabuleiro político, cada vez mais complexo e dinâmico.

