Movimentação Polêmica Entre Petistas
Uma movimentação entre os membros do Partido dos Trabalhadores (PT) no Rio de Janeiro tem gerado controvérsias nos últimos dias. A articulação do secretário de Assuntos Parlamentares do Planalto, André Ceciliano, para concorrer ao mandato-tampão no governo estadual — uma eleição indireta que ocorre em função da saída de Cláudio Castro (PL) do cargo — provocou reações de um grupo de petistas que apoia o prefeito Eduardo Paes (PSD). Esta movimentação levou a cúpula do PT no estado a emitir uma nota reafirmando o suporte a Paes nas eleições deste ano.
A direção do partido no Rio, conectada ao prefeito de Maricá, Washington Quaquá, está buscando estreitar laços com o PSD. O objetivo é garantir um palanque forte para a reeleição de Lula. Na análise da cúpula fluminense, a candidatura de Ceciliano visa não apenas a Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), mas também almeja fortalecer sua posição para uma possível candidatura a mais quatro anos à frente do governo estadual.
A expectativa é que a eleição indireta ocorra em virtude da saída de Castro, que deve concorrer ao Senado, enquanto o atual vice-governador, Thiago Pampolha, foi nomeado para o Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Reafirmação do Apoio a Paes
No comunicado divulgado no último sábado, o PT fluminense reiterou sua aliança com Paes, que está se preparando para sua candidatura ao governo. No texto, a legenda expressou que qualquer movimento contrário à colaboração com Paes “joga água no moinho do bolsonarismo”, ressaltando que isso poderia fortalecer a direita e criar obstáculos para as alianças que o partido está construindo em torno de Lula.
Além disso, a nota enfatizou que “não reconhece e desautoriza quaisquer manifestações individuais de filiados ou dirigentes” que possam intervir no processo de reeleição do presidente e na política de alianças estabelecida. O presidente da executiva estadual do PT, Diego Zeidan, filho de Quaquá, reforçou essa posição em entrevista ao GLOBO, afirmando que a candidatura de Ceciliano não foi discutida e é um projeto pessoal dele.
Zeidan destacou: “Aqui no Rio, a prioridade é a aliança com o Eduardo Paes para formar um palanque que respalde Lula. Nenhuma candidatura individual deve prevalecer sobre o projeto coletivo do partido.”
Expectativa e Desafios para Ceciliano
Ceciliano ainda não se manifestou publicamente sobre a situação. Entretanto, seus apoiadores têm expectativa de que o futuro de sua candidatura seja definido em uma reunião com Lula que pode ocorrer nos próximos dias. Caso opte por se lançar para o mandato-tampão, o petista enfrentará a articulação em torno do secretário de Casa Civil, Nicola Miccione. Este nome está sendo considerado como um acordo de “ganha-ganha” entre Cláudio Castro e Eduardo Paes, e sua proximidade com o governador representa um desafio adicional para Ceciliano.
Com o objetivo de evitar adversários com poder significativo na eleição de outubro, Paes parece empenhado em garantir um ambiente favorável para sua candidatura.
Crise de Confiança no PSD
A movimentação de Ceciliano ocorre em meio a incertezas sobre a posição do PSD no estado. A desconfiança começou após críticas feitas pelo vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), em entrevista ao GLOBO, que se referiu a declarações do PT como “lero-lero” em temas cruciais, como segurança pública. Cavaliere questionou o “alinhamento automático” entre Paes e o presidente durante a campanha eleitoral.
Apesar das divergências, a ala do PSD que defende a aliança com Paes procura evitar repetir o que consideram “o erro de 2022”, quando Lula apoiou o então deputado e atual presidente da Embratur, Marcelo Freixo (PSB). Naquela ocasião, Freixo, apoiado pelo PT, foi derrotado ainda no primeiro turno por Cláudio Castro. Assim, o PSD busca não apenas um palanque forte para Lula, mas também busca espaços na chapa de Paes, tendo a intenção de ocupar vagas de vice ou até mesmo uma candidatura ao Senado.

