Educação para a Cidadania Digital e Midiática
A era digital trouxe à tona discussões essenciais sobre o papel das instituições de ensino na formação de cidadãos conscientes e responsáveis no ambiente virtual. Mais do que apenas aprender a utilizar ferramentas tecnológicas, tanto alunos quanto educadores enfrentam o desafio de refletir sobre o uso ético dessas tecnologias. Este contexto, caracterizado pela rápida disseminação de informações, pela influência dos algoritmos e pela constante exposição nas redes sociais, será o foco do ano letivo de 2026 na Rede Estadual de Pernambuco. Na quarta-feira (14), a Secretaria de Educação do estado (SEE) apresentou o tema “Educação para a Cidadania Digital e Midiática: formando cidadãs e cidadãos críticos e responsáveis”, que guiará as práticas pedagógicas durante o ano.
A escolha desse tema, conforme informado pela SEE, visa promover uma atuação ética e segura no ambiente digital, com ênfase em discussões sobre segurança, navegação responsável e autonomia de adolescentes e jovens que integram a rede estadual. O secretário de Educação, Gilson Monteiro, ressaltou que essa decisão reflete uma conversa contínua dentro da rede, alinhada às transformações que estudantes e educadores enfrentam na contemporaneidade.
“Esse debate é constante para nós. Ele está sempre muito presente em nossa realidade atual. Quando trazemos essa discussão para a sala de aula, percebemos que os estudantes já estão imersos nesse mundo tecnológico”, afirmou o secretário, em um diálogo com a coluna Enem e Educação.
Ampliando o Debate sobre o Mundo Digital
Com o crescente uso das redes sociais, os impactos da inteligência artificial na aprendizagem e medidas como a restrição do uso de celulares em sala de aula, Monteiro enfatizou a necessidade de ampliar o debate acerca do universo digital. “Precisamos abordar essa temática de uma maneira que dialogue diretamente com os estudantes”, destacou.
Para que a proposta seja efetivamente incorporada ao ensino ao longo do ano, a SEE planeja realizar três seminários regionalizados, envolvendo as Gerências Regionais de Educação e gestores escolares. “Todas as iniciativas do ano, desde torneios e olimpíadas até atividades pedagógicas, terão este enfoque, buscando conscientizar nossos professores, gestores e alunos sobre como utilizar a tecnologia de maneira adequada, dentro do que planejamos para a educação do estado”, explicou Monteiro. As aulas da rede estadual de ensino estão agendadas para começar em 3 de fevereiro.
Conexão com a BNCC da Computação
O tema “Educação para a Cidadania Digital e Midiática: formando cidadãs e cidadãos críticos e responsáveis” estabelece uma conexão clara com o Complemento da Computação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que será implementado em todas as escolas do Brasil a partir deste ano. Esta diretriz busca integrar a tecnologia e o pensamento computacional de forma transversal na educação básica, com o objetivo de preparar os estudantes para o mundo digital. Os eixos incluem decomposição de problemas, reconhecimento de padrões e abstração, além de promover o uso e criação de tecnologias de forma crítica, ética e significativa. A iniciativa contempla orientações específicas para cada etapa da trajetória escolar, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio.
No ano passado, o Ministério da Educação passou a vincular o acesso ao Valor Aluno Ano Resultado (VAAR), uma das modalidades do Fundeb, à atualização curricular que respeita as competências e habilidades da BNCC Computação. Gilson Monteiro comentou que as matrizes curriculares estão consolidadas, mas a implementação ocorrerá com atenção às especificidades de cada região do estado, respeitando contextos e experiências locais. “A tecnologia é vasta, mas precisamos compreender o que cada localidade consegue desenvolver. Essa abordagem regional será um diferencial para a rede”, concluiu.
Preparação e Valorização dos Docentes
A implementação dos novos currículos demanda que os professores estejam capacitados para mediar o desenvolvimento de competências relacionadas ao pensamento computacional e à cidadania digital. Segundo resultados de autodiagnósticos que avaliam essas competências, apenas cerca de 30% dos docentes conseguem integrar de forma eficaz as tecnologias em suas práticas pedagógicas, afirmou Lia Glaz, diretora-presidente da Fundação Telefônica Vivo, em uma conversa com a coluna Enem e Educação.
Além disso, é fundamental fortalecer políticas de valorização da carreira docente, garantindo condições adequadas de trabalho e remuneração. Lia destacou que novos professores também precisam desenvolver suas competências digitais antes de ingressarem nas redes de ensino. “A inteligência artificial pode ser uma aliada do trabalho docente, desde que haja o preparo necessário. Ela pode automatizar tarefas e apoiar processos pedagógicos, como a análise de dados de avaliações e a personalização da aprendizagem, mas o professor precisa ter repertório para aplicar essas ferramentas na prática”, completou.
Em 2023, a Fundação Telefônica Vivo observou um progresso limitado na implementação da BNCC Computação nas redes de ensino brasileiras. Por isso, a partir de 2024, a instituição começará a oferecer assessoria técnica a 22 redes estaduais e municipais, auxiliando na elaboração de currículos que estejam alinhados às competências da BNCC Computação, acompanhando todas as etapas até a submissão aos Conselhos de Educação.

