Reflexões sobre a Educação Política para 2026
O ano de 2026 se apresenta como um marco para a educação política na América Latina, conforme profetiza a Agenda Latino-americana/2026. O Frei José Fernandes Alves, que integra a coordenação do projeto, destaca: “O Livro-agenda é um Projeto Político Popular Pedagógico urgente, necessário e possível.” Para mais informações, os interessados podem acessar o site www.cefep.org.br ou entrar em contato pelo e-mail cefep@cnbb.org.br, além do telefone 61 98155 7198.
Reconhecido como um dos livros mais divulgados na América Latina, a Agenda Latino-americana simboliza a união entre povos e comunidades que lutam por causas comuns e por uma verdadeira transformação social. Este material representa uma esperança renovada para aqueles que enfrentam a pobreza e a exclusão social, trazendo à tona a memória histórica da resistência e do sacrifício da América Latina. Sua proposta é servir como uma ferramenta valiosa para promover a educação, a comunicação e a ação social em prol de uma sociedade mais inclusiva.
Além de ser um simples calendário, a Agenda é uma fonte de reflexão. Em 2026, o foco será a EDUCAÇÃO POLÍTICA, que se torna ainda mais relevante em um ano marcado por eleições históricas no Brasil. A apresentação do Livro-Agenda Latino-americana, na edição brasileira, ressalta que foi elaborada para funcionar como uma ferramenta prática, útil para o trabalho popular.
“Esta edição foi pensada para ser uma ferramenta de trabalho popular. Através de seu tema central – Educação Política – criamos um material que é ao mesmo tempo leve e profundo, enriquecido com ilustrações e indicações de vídeos e filmes que favorecem o aprendizado. Cada artigo é acompanhado de uma ilustração que estimula o pensamento crítico e aproxima a realidade vivida pela população”, destacam os organizadores.
A Importância da Educação Política
A edição de 2026 do Livro-agenda propõe uma campanha de educação popular com o intuito de humanizar a política. O objetivo é educar as comunidades para que possam viver com dignidade e em harmonia, enfrentando um sistema que frequentemente marginaliza parcelas da sociedade. A proposta é clara: desafiar as estruturas de poder que perpetuam a opressão e buscar formas de empoderar os cidadãos, permitindo que eles construam suas histórias pautadas em políticas de solidariedade e respeito à natureza.
“Contrapomos a ideia de que não há alternativas ao capitalismo com uma pedagogia da esperança. Afirmamos que outra educação é possível, pois outro mundo é necessário. Nossa educação popular deve ser: 1. Decolonial; 2. Feminina; 3. Ecológica; 4. Libertadora”, enfatiza a Agenda, que também apresenta diretrizes práticas, como a necessidade de:
- Ler a realidade e identificar as estruturas opressivas;
- Organizar conhecimentos e mobilizar as pessoas para que o saber se torne uma potência política;
- Articular a luta popular e mobilizar aqueles que se sentem injustiçados.
Essas tarefas são essenciais para garantir que a educação política avance nas comunidades, promovendo um diálogo constante entre teoria e prática.
Desafios e Oportunidades na Educação Feminista
Ivone Gebara, em sua obra “Feminismo e Liberdade”, ressalta a importância do movimento feminista na busca pela liberdade. Ela argumenta que a liberdade deve ser entendida como ações que promovem a vida e destaca como o movimento de mulheres se organiza para romper com as amarras da opressão. A educação política, nesse contexto, é fundamental para que homens e mulheres entendam seu papel na sociedade e não se deixem seduzir pelas promessas vazias do capitalismo.
Frei Betto também contribui para a discussão sobre a consciência crítica, abordando a importância do trabalho de base. “A educação política de nosso povo deve ser realizada por meio de pedagogias libertadoras que dialoguem com as novas ferramentas digitais”, afirma ele. Isto se torna ainda mais necessário em um mundo em constante transformação.
João Pedro Stédile, por sua vez, apresenta uma visão clara sobre como se forma um militante. Ele enfatiza a importância da práxis e da participação coletiva nas lutas sociais como pilares para a formação de líderes conscientes e engajados.
Por fim, a Educação Popular Feminista, segundo Johanna Molina Acevedo, é uma estratégia poderosa para promover uma ação política transformadora que visibiliza e desnaturaliza as opressões. O conhecimento da realidade é fundamental para que as comunidades possam organizar suas lutas e demandar mudanças estruturais.
Em suma, a Agenda Latino-americana para 2026 nos convida a refletir sobre a educação política como uma prioridade. Ao abraçar esses desafios, podemos alimentar a utopia de uma sociedade que valoriza a dignidade humana e a justiça social.

