A Influência da História na Política Externa dos EUA
O que se observa atualmente na política externa dos Estados Unidos é, sem dúvida, um reflexo de sua trajetória histórica, marcada por momentos de colonização violenta. Desde os tempos dos colonizadores ingleses e espanhóis até os dias atuais, a beligerância e a busca por domínio são constantes, sempre em um cenário onde os limites éticos e semânticos parecem estar em desuso. O legado do cinismo liberal e do discurso politicamente correto ficou para trás, enquanto o grande bastão permanece pronto para ser empunhado.
A ideologia do ‘far west’ transcende o mero passado; ela representa uma política de expansão e controle que se legitima por meio da força. Frantz Fanon já nos alertou sobre a alienação do colonizado, que, muitas vezes, acaba reproduzindo os interesses de seus opressores. Recentemente, foi possível observar a atuação de políticos brasileiros próximos à extrema-direita, que se aliaram à Casa Branca em detrimento da soberania nacional e dos interesses brasileiros, enquanto produtores de soja e exportadores de carne negociavam acordos em Washington durante o governo Trump.
O Direito das Gentes e a Dominação Militar
A força que fundamenta o direito internacional é semelhante à que se impunha aos povos de outrora, como as legiões romanas, ou os marines atuais, que estabelecem o que chamam de ‘nova ordem mundial’. A ‘Conquista do Oeste’ se revela como uma narrativa da conquista global, com raízes que remontam ao surgimento dos primeiros hominídeos. A violência, portanto, revela-se como um traço formador da identidade americana, desde a ocupação territorial e a destruição das civilizações nativas até a escravidão e o racismo. O macarthismo no século XX e a hostilidade contra imigrantes na atualidade são apenas outros capítulos de uma história pautada pela agressão.
Não se pode desconsiderar, portanto, o trumpismo como um fenômeno isolado; ele é parte de um padrão mais amplo de comportamento imperialista que sempre caracterizou a política externa dos EUA. Como disse o filósofo Ernest Renan, “a nação é uma alma, um princípio espiritual”, e a alma estadunidense está profundamente enraizada em sua história.
O Capitalismo Monopolista e suas Implicações
O imperialismo americano é, inegavelmente, uma extensão do capitalismo monopolista, cuja necessidade de expansão é desesperadora. Lênin já havia observado que o imperialismo é a fase superior do capitalismo, manifestando-se pela dominação do capital financeiro e pela partilha do mundo entre grandes potências. Esta visão, aparentemente não assimilada por muitos estrategistas brasileiros, destaca que o imperialismo não se limita à política externa, mas está intrinsecamente ligado à estrutura do capitalismo global.
A relação histórica entre o avanço do capitalismo americano e a decadência da Europa também não pode ser ignorada. A Primeira Guerra Mundial, por exemplo, criou um vácuo que possibilitou o surgimento de novas potências, como os EUA e a URSS, que dividiriam o mundo em esferas de influência. A Conferência de Bretton Woods, em 1944, solidificou o dólar como a moeda central, criando um sistema monetário que ainda perdura e sustentando a hegemonia do imperialismo estadunidense.
Desafios e Novas Potências no Cenário Global
Nos dias atuais, a dinâmica de poder está mudando, com a China se posicionando como uma forte competidora no cenário econômico global. Com um domínio crescente em áreas estratégicas, a China tem se destacado na obtenção de recursos e na inovação tecnológica. Embora o poderio militar dos EUA continue imbatível, sinais de cansaço econômico começam a aparecer, especialmente frente ao avanço chinês que parece não ter limites.
Enquanto os EUA buscam consolidar seu domínio, a China adota uma estratégia de desenvolvimento que se preocupa com a sua segurança e com a estabilidade de suas rotas comerciais, sem perder de vista a necessidade de expansão de seus mercados. A antiga Formosa, hoje Taiwan, é um ponto crítico dessa geopolítica, onde a tensão entre os dois países pode desencadear consequências graves.
Reflexões Finais sobre o Futuro da Política Internacional
A história nos ensina que o cenário atual não é estático. Assim como as nuvens mudam de forma, as nações também alteram suas trajetórias conforme os ventos da política global sopram. Os desafios enfrentados pelos EUA na busca pela manutenção de sua hegemonia são reflexo de uma história que se desdobra em ciclos de luta e dominação. O mundo ainda observa atentamente, na expectativa de como essa narrativa se desenrolará nos anos que estão por vir.

