Cerimônias de Reconhecimento e Preservação Cultural
No início da tarde desta sexta-feira (16), a ministra da Cultura, Margareth Menezes, esteve em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, para marcar duas agendas institucionais que simbolizam a valorização do patrimônio cultural baiano. Entre os destaques da visita, a entrega da placa que reconhece o Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê como Patrimônio Cultural do Brasil e a assinatura da ordem de serviço para obras emergenciais na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios.
Cachoeira, conhecida como Cidade Heroica, é reconhecida por seu papel histórico na luta pela Independência do Brasil e abriga um dos mais ricos conjuntos históricos do país. Além disso, a cidade é um importante centro de expressões culturais que dialogam com as matrizes africanas e a religiosidade popular.
A primeira agenda aconteceu no Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê, um espaço religioso com quase 100 anos de história, localizado na comunidade da Terra Vermelha. Recentemente, o terreiro foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e inscrito no Livro do Tombo Histórico, Etnográfico e Paisagístico, em reconhecimento ao seu valor histórico e cultural.
Durante a cerimônia, Margareth Menezes enfatizou a importância reparadora deste reconhecimento. “Este momento representa a retomada de um olhar justo e de reparação. O reconhecimento deste espaço como patrimônio é uma reparação histórica e simbólica. Precisamos reconhecer a contribuição dos terreiros e da cultura afro-brasileira na formação do nosso país”, ressaltou.
Compromisso com a Preservação Cultural
A ministra também destacou o papel do Estado na defesa dos direitos culturais e na luta contra o racismo estrutural. “Estamos aqui cumprindo a função do Estado em um país democrático, onde todas as religiões devem ser respeitadas. Este reconhecimento fortalece a comunidade de Cachoeira e todo o Recôncavo baiano. Estamos seguindo uma nova direção, de um Brasil mais justo e que promove reparação histórica com ações concretas”, afirmou.
Hermano Fabrício Oliveira Guanais, superintendente do Iphan na Bahia, comentou que o tombamento vai além de um gesto simbólico, representando um compromisso do Estado com a proteção dos espaços e das práticas culturais. “O tombamento não é apenas um título, mas sim um compromisso do Estado com a salvaguarda do terreiro e de suas expressões culturais”, pontuou.
A prefeita de Cachoeira, Eliana Gonzaga, também fez questão de ressaltar a importância do reconhecimento e da convivência respeitosa entre as diferentes crenças. “É uma honra participar desse momento tão sonhado. Este reconhecimento é histórico, não só para Cachoeira, mas para o Brasil”, disse.
Pai Duda de Candola, responsável pelo terreiro, relembrou os anos difíceis que a comunidade enfrentou e ressaltou a importância desse reconhecimento. “O tombamento trouxe paz não apenas para o terreiro, mas para uma parte significativa de Cachoeira. Resistimos por toda a religião de matriz africana”, declarou.
Início de Obras Emergenciais na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios
Após a cerimônia, Margareth Menezes participou da assinatura da ordem de serviço para o início das obras emergenciais na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios. Com um investimento de R$ 775,9 mil, o templo, que está tombado pelo Iphan desde 1971, enfrentava um estado avançado de deterioração.
As obras incluem serviços como descupinização, substituição do telhado e restauração das estruturas, visando garantir a estabilidade do monumento e suas condições de conservação. A ministra da Cultura enfatizou a relevância do patrimônio religioso para a identidade nacional: “Cachoeira e toda a Bahia são mais do que patrimônio arquitetônico. Preservar esses espaços é preservar nossa identidade. Investir em cultura é fundamental para o desenvolvimento do país”, afirmou.
A prefeita reiterou a importância do diálogo com o Governo Federal, destacando os impactos das políticas culturais. “Fortalecer políticas culturais é preservar a nossa memória e identidade. Cachoeira tem sido beneficiada pelo compromisso com o povo”, ressaltou.
Naiara Jambeiro, guardiã da igreja, celebrou o início das obras como a concretização de um sonho coletivo. “Hoje posso dizer que a luta valeu a pena. Estamos marcando o início de um sonho que se torna realidade”, afirmou. Hermano Guanais, por sua vez, finalizou ressaltando que a preservação do patrimônio depende da conscientização da comunidade sobre seu valor. “Igreja preservada é igreja viva, com celebrações e memória coletivas. Esse é o patrimônio que precisamos proteger”, concluiu.

