A Vacina Butantan-DV: Um Marco na Luta Contra a Dengue
No último domingo (18), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, deu início à vacinação contra a dengue em Botucatu (SP), utilizando a primeira vacina 100% nacional, a Butantan-DV. Esta vacina de dose única foi desenvolvida pelo renomado Instituto Butantan e marca um importante passo na estratégia do Ministério da Saúde para o controle da dengue no Brasil. Botucatu é a terceira cidade a participar desse projeto piloto, ao lado de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), com o objetivo de avaliar o impacto da imunização na transmissão da doença e fornecer dados técnicos para futuras implementações em todo o país.
O ministro Padilha destacou a importância da vacinação, afirmando que, caso a cobertura vacinal alcance entre 40% e 50%, haverá uma proteção individual significativa e um impacto notável no controle da dengue na localidade. As cidades selecionadas começaram a convocar a população com idades entre 15 e 59 anos para receber a vacina em suas Unidades de Saúde.
Avanços na Vacinação Infantil e Estratégias Futuras
Além do lançamento da nova vacina, Padilha ressaltou os avanços na vacinação infantil no Brasil. Ele afirmou que o país está ampliando seu calendário vacinal, mesmo enquanto outras nações estão reduzindo a oferta de vacinas. “Encerramos 2025 com um aumento na cobertura vacinal de todas as vacinas do calendário infantil. Em 2022, registramos uma cobertura inferior a 80%”, completou o ministro.
A decisão de Botucatu ser um dos municípios-piloto reflete sua trajetória como referência em estudos de eficácia vacinal. A cidade já participou de esforços semelhantes durante a pandemia de Covid-19, contribuindo com dados valiosos para a avaliação de estratégias de vacinação em larga escala.
Os primeiros resultados da vacinação contra a dengue serão analisados durante um ano, com o suporte de especialistas que monitorarão a incidência da doença e possíveis efeitos adversos raros após a imunização. Essa abordagem já foi bem-sucedida em Botucatu na avaliação da vacina contra Covid-19.
Distribuição de Vacinas e Público-Alvo
Nesta fase inicial, 204,1 mil doses da Butantan-DV serão distribuídas entre os três municípios envolvidos: Botucatu receberá 80 mil doses, enquanto Maranguape e Nova Lima terão, respectivamente, 60,1 mil e 64 mil doses. Esse volume é suficiente para vacinar a população-alvo nas cidades selecionadas e faz parte de um total de 1,3 milhão de doses produzidas pelo Butantan.
Para o público de 10 a 14 anos, a vacina japonesa, que requer duas doses, continua sendo oferecida. Inicialmente restrita a 2,1 mil municípios prioritários, a vacina agora está disponível em todos os mais de 5 mil municípios brasileiros. A Butantan-DV é destinada ao público de 15 a 59 anos, conforme regulamentação da Anvisa.
Planejamento da Vacinação Nacional
Com a chegada de mais doses da Butantan-DV, a imunização de profissionais da Atenção Primária à Saúde está programada para começar em fevereiro. Cerca de 1,1 milhão de doses serão direcionadas aos profissionais que atuam na linha de frente do SUS, incluindo médicos, enfermeiros e agentes comunitários, assim que essas doses estiverem disponíveis.
A implementação da vacinação para o público geral ocorrerá de acordo com a disponibilidade de vacinas. Graças à parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a vacinação será expandida gradativamente por todo o território nacional, começando pela faixa etária de 59 anos e diminuindo até chegar aos 15 anos, com expectativa de aumento na produção de até 30 vezes.
Quem Pode Receber a Vacina?
Nos municípios-piloto, a vacina Butantan-DV destina-se a pessoas de 15 a 59 anos e está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e em outros pontos de vacinação convenientes. Como um imunizante de dose única, a Butantan-DV oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue, com eficácia global de 74%, além de uma impressionante redução de 91% nos casos graves e 100% de proteção contra hospitalização por dengue.
Vale lembrar que, em 2024, o Brasil se tornou o primeiro país a disponibilizar uma vacina contra a dengue no sistema público de saúde. O SUS também continua a vacinar crianças e adolescentes de 10 a 14 anos com a vacina de duas doses, disponível apenas nas UBS.
Cenário Epidemiológico e Ações de Combate
Em 2025, o Brasil reportou uma redução de 74% nos casos de dengue em comparação ao ano anterior. Apesar desse progresso, o Ministério da Saúde enfatiza que as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti devem ser intensificadas em todo o país. Durante o ano, foram registrados 1,7 milhão de casos prováveis da doença, em comparação a 6,5 milhões em 2024, e o número de mortes também caiu significativamente, com 1,7 mil óbitos, uma redução de 72% em relação a 2024, que contabilizou 6,3 mil mortes.
As principais medidas contra a dengue, chikungunya e zika continuam sendo a eliminação dos criadouros do mosquito. A vacinação se soma a essas estratégias de controle, que incluem o uso de inseticidas, testes rápidos e inovações tecnológicas.

