Pedido de Impeachment na Assembleia Legislativa de Pernambuco
A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) confirmou, por meio de uma nota, o recebimento formal do pedido de impeachment da governadora Raquel Lyra. A solicitação, que veio à tona devido a denúncias de irregularidades na Logo Caruaruense, empresa de ônibus pertencente ao pai da governadora, está agora sob análise do Legislativo estadual.
Nesta segunda-feira (19), o deputado Romero Albuquerque, representante do partido União e aliado do prefeito do Recife, João Campos, deu entrada no pedido de impeachment. Agora, a proposta seguirá para um processo específico de análise que será liderado pela Presidência da Alepe.
O deputado Álvaro Porto, presidente da Casa e conhecido por ser um dos principais opositores do governo, ficará encarregado de avaliar a situação. A Alepe também divulgou que o presidente em exercício, deputado Rodrigo Farias (PSB), afirmou que a análise do pedido começará no dia 2 de fevereiro, data em que os trabalhos legislativos serão retomados, conforme estabelecido no calendário oficial.
Contexto das Irregularidades
A situação envolvendo a Logo Caruaruense ganhou notoriedade na última sexta-feira (16), quando a governadora anunciou que a empresa, sob a direção de João Lyra Neto, pai de Raquel, encerrará suas operações. O comunicado foi repassado à Empresa Pernambucana de Transportes Intermunicipais (EPTI), que deverá informar quais novas empresas assumirão as linhas atualmente operadas pela Logo Caruaruense até o fim da semana.
De acordo com um relatório da EPTI, a empresa de ônibus estava em operação desde 2021 sem a quitação de taxas e vistorias obrigatórias. A assessoria da governadora foi contatada pelo Diario para comentar a situação, mas ainda não obteve resposta.
Impeachment de João Campos
O cenário político em Pernambuco se complica ainda mais, uma vez que, no dia 6 deste mês, o prefeito do Recife, João Campos, também enfrentou um pedido de impeachment. O vereador Eduardo Moura, do partido Novo, protocolou a solicitação com base em uma alteração controversa no resultado de um concurso público para procurador municipal.
A mudança favoreceu o filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas e de um juiz do Tribunal de Justiça de Pernambuco, em detrimento de um advogado que havia sido aprovado nas vagas destinadas a pessoas com deficiência. Esse advogado foi descartado e, posteriormente, uma nova candidata, que havia recebido diagnóstico de autismo, foi reinserida no concurso após dois anos da inscrição.
João Campos se manifestou sobre o pedido de impeachment, qualificando-o como “oportunismo político” e atribuindo as acusações a um ambiente eleitoral onde seu nome aparece com relevância nas pesquisas. O prefeito afirmou: “É sempre assim, chega ano eleitoral e algumas pessoas acham que é o jogo do vale-tudo. Não é assim. Vou tratar tudo com seriedade e respeito. O povo do Recife me conhece e sabe”.
As implicações políticas e as reações em relação a esses pedidos de impeachment certamente darão o que falar, tanto no cenário estadual quanto na corrida eleitoral de 2024. A continuidade dos processos legislativos e as investigações sobre as irregularidades na Logo Caruaruense serão cruciais para entender como esses eventos afetarão as relações políticas em Pernambuco nos próximos meses.

