Uma Homenagem à Arte da Dança
A Prefeitura de Bauru, através da Secretaria de Cultura, inaugura nesta quarta-feira (21), às 20h, a exposição inédita ‘Estrela Dalva’ na Biblioteca Rodrigues de Abreu. Esta mostra é uma homenagem que entrelaça memória, arte e carinho, celebrando a vida e o legado de Dalva Correa, uma das mais notáveis referências da dança e do ballet na cidade e em toda a região.
Com curadoria de José de Bara Figueiredo, Attiliano Correa e Manoel Fernandes, a exposição apresenta um recorte inédito do acervo pessoal da bailarina. São figurinos históricos, fotografias raras de suas apresentações e festivais, além de documentos que ajudam a narrar a trajetória de uma artista que dedicou décadas à formação e à promoção da cultura da dança.
‘Estrela Dalva’ oferece uma experiência visual e emocional que resgata desde os primeiros passos de Dalva Correa no universo da dança até sua consagração como uma artista influente e educadora. O foco vai além de sua carreira profissional, explorando aspectos pessoais que revelam a mulher por trás do palco e a intensa conexão que ela tinha com a arte.
Legado de Dalva Correa
Dalva Correa, reconhecida por sua força e elegância, deixou um legado que se estende muito além dos palcos e permanece presente na memória cultural de Bauru. Sua contribuição para a dança é inegável, e a exposição ficará disponível até o dia 28 de fevereiro, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com entrada gratuita e aberta a todos.
Nascida em São Paulo em 3 de maio de 1940, Dalva deu início à sua trajetória na dança em 1947, incentivada por seu pai, o coronel Attiliano Correa, herói da Revolução de 1932. Ele a levou à sua primeira escola de ballet, onde começou a moldar seu futuro. Ingressou na Escola Municipal do Ballet do Teatro Municipal de São Paulo, tendo sido aluna de renomadas figuras como Lia Marques e Marilena Ansaldi. Além disso, teve o privilégio de aperfeiçoar suas técnicas com mestres como Joshey Leão, seu parceiro, Sir Anton Dolin, Jean-Marie Dubrul e Mozart Xavier, no Conservatório Musical de Campinas da PUC-Campinas.
Em 1977, Dalva mudou-se para Bauru, onde em 1978 fundou o Ballet Vitória Régia, a primeira escola de dança registrada no município. Seu comprometimento com a formação de bailarinos a levou a aprimorar suas habilidades no Royal Ballet of London, além de experiências com prestigiosas instituições como os Ballets Kirov e Bolshoi.
Impacto Cultural e Social
Durante mais de quatro décadas à frente do Ballet Vitória Régia, Dalva formou mais de 6.500 alunos. Sua atuação como professora, coreógrafa e diretora artística foi marcante, levando a dança a diferentes públicos e locais, incluindo apresentações em praças, igrejas e festivais no Brasil e no exterior. Uma fervorosa católica, Dalva conseguiu a autorização do Vaticano para dançar em missas e celebrações religiosas, unindo fé e arte.
Além de seu trabalho no ensino, Dalva brilhou como bailarina em competições e festivais internacionais, conquistando prêmios e representando Bauru em países como Argentina, México, Chile e Itália. Um dos momentos mais emocionantes de sua carreira ocorreu durante o International Dance Festival em Veneza, onde, aos 71 anos, dançou ‘O Poema’, uma homenagem ao amor de sua vida, Joubert Silva.
O legado de Dalva Correa não se resume apenas à excelência artística, mas também à sua forte dimensão social e humana. Ela promoveu a inclusão da arte do ballet, independentemente de classe social, inspirando gerações de bailarinos. Em 10 de março de 1998, Dalva foi agraciada com o título de Cidadã Bauruense. Infelizmente, a artista faleceu em janeiro de 2022, aos 81 anos, em Maringá/PR, deixando uma marca indelével na cultura e na educação em dança de Bauru e região.

