Continente avança na luta contra a mpox
No último sábado (24), Jean Kaseya, diretor-geral do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África, anunciou que o continente não está mais sob estado de emergência de saúde pública devido à mpox, anteriormente chamada de varíola dos macacos. Apesar do alívio, Kaseya alertou que a infecção ainda se mantém endêmica em várias regiões.
Em um comunicado oficial, o diretor destacou que a decisão de retirar o status de emergência se baseou em melhorias significativas na detecção de casos, no tratamento de pacientes e na vacinação. Desde 2024, mais de cinco milhões de vacinas contra a mpox foram distribuídas em 16 países africanos. Esse esforço coletivo resultou em uma queda de 60% nos casos confirmados entre o início e o final de 2025. Além disso, a taxa de mortalidade entre os infectados diminuiu de 2,6% para 0,6%.
“Isso não significa que a doença desapareceu da região”, enfatizou Kaseya. “Na verdade, estamos passando de uma resposta de emergência para um caminho que será sustentado e liderado pelos países, com o objetivo de eliminar a mpox”. O diretor-geral ressaltou a importância da vigilância contínua, investimentos direcionados e inovação para assegurar que os progressos sejam mantidos e para evitar o ressurgimento da doença.
Modelo de Resposta que Pode Ser Replicado
Kaseya também mencionou que o modelo de resposta aplicada à mpox será utilizado em outras infecções e doenças que apresentam potencial epidêmico. “A experiência adquirida na resposta à mpox será institucionalizada para lidar com outras enfermidades, como cólera, difteria, sarampo e poliomielite. Essa estratégia faz parte do pilar de Prevenção, Preparação e Resposta a Pandemias, que integra a segurança sanitária na África”, afirmou.
Essa declaração ocorre poucos meses após a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter anunciado, em setembro, que a mpox não era mais considerada uma emergência de saúde global. A OMS havia declarado o estado de emergência de saúde pública no mundo em agosto de 2024, após uma epidemia que afetou particularmente a República Democrática do Congo (RDC).
A medida tomada pela África é um sinal positivo, mas a luta contra doenças infecciosas continua. Especialistas alertam que a vigilância epidemiológica e a prontidão são fundamentais para evitar novos surtos, especialmente em um cenário global em que as doenças estão cada vez mais interligadas.
Assim, enquanto a África celebra essa conquista, a mensagem clara é de que o combate à mpox e a outras doenças infecciosas deve permanecer uma prioridade, com um compromisso contínuo de todos os países para assegurar a saúde pública no continente.

