Encontro Estratégico em Tempos de Tensão
A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao ex-presidente Donald Trump, em Washington, é encarada por assessores do Palácio do Planalto como uma “vacina” contra uma possível interferência dos EUA nas eleições presidenciais deste ano. O diálogo, segundo informações de auxiliares, representa uma chance para Lula reafirmar sua posição como um interlocutor confiável, apesar das divergências existentes, e ressaltar a transparência do processo eleitoral brasileiro.
A expectativa é que essa reunião ajude a afastar as tentativas de influência de aliados da direita brasileira que buscam apoio no governo norte-americano. Isso é especialmente relevante considerando que figuras como o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o empresário Paulo Figueiredo já tentaram desestabilizar o diálogo entre os dois líderes, mas sem sucesso até agora.
Mobilização da Direita e Desafios Diversos
Ainda assim, membros do governo federal reconhecem que a direita continuará a se mobilizar em busca de apoio internacional na corrida presidencial. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que enfrenta sérias condenações, incluindo 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado, indicou seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para enfrentar Lula nas próximas eleições.
A inquietação do governo brasileiro reflete a política externa do presidente americano, especialmente sua postura em relação à América Latina, que inclui intervenções na Venezuela e o apoio a líderes conservadores da região que estão alinhados aos interesses republicanos. Neste contexto, é importante lembrar que Lula já manifestou apoio à vice-presidente Kamala Harris, que foi derrotada por Trump em uma eleição anterior, aumentando as chances de que o ex-presidente se posicione contra o petista no futuro.
Preocupações com a Influência Digital
Embora Trump não tenha feito uma declaração aberta de apoio a Lula, as preocupações em torno da influência americana permanecem, especialmente devido ao poder das big techs. O uso de redes sociais e inteligência artificial para moldar opiniões e influenciar resultados eleitorais é um tema que preocupa os estrategistas brasileiros.
Recentemente, Lula e Trump tiveram uma conversa telefônica de cerca de 50 minutos, na qual combinaram uma visita do presidente brasileiro a Washington, prevista para março. Desde o Itamaraty, a prioridade agora é discutir questões comerciais, como a retirada de tarifas que incidem sobre produtos nacionais, abordar a situação da Venezuela e a proposta de Trump para que o Brasil participe do Conselho de Paz voltado à reconstrução da Faixa de Gaza.
Cautela e Confiança nas Relações Bilaterais
Os diplomatas ressaltam que, apesar da cautela necessária diante do comportamento volátil de Trump, o Salão Oval, onde o ex-presidente já causou constrangimentos a outros líderes, não é mais visto como uma armadilha. A análise é de que a relação entre Lula e Trump alcançou um nível de confiança que possibilita ao presidente brasileiro discordar do americano quando necessário, sem temor de represálias.
Em última análise, a visita de Lula a Trump será observada de perto, tanto por apoiadores quanto por críticos. O evento não apenas reforça os laços diplomáticos entre os dois países, mas também pode proporcionar um ambiente mais seguro para as eleições brasileiras, minimizando a influência externa que historicamente teve impacto nas decisões políticas locais.

