Movimentações Estratégicas no Cenário Político Paulista
A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), decidiu transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo, um passo importante rumo à sua candidatura ao Senado. Essa mudança foi acertada em uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a participação dele no Fórum Econômico Internacional do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), no Panamá. A chapa em que Tebet deve concorrer também pode contar com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), disputando o governo do estado. Por sua vez, Marina Silva (Rede), atual ministra do Meio Ambiente, revelou que também está disposta a entrar na disputa pelo Senado, ressaltando a importância de São Paulo em sua trajetória política recente.
Com o prazo limite para a transferência do título eleitoral até 4 de abril, Tebet, que já foi senadora por Mato Grosso do Sul, enfrenta a decisão de mudar de partido. Recentemente, recebeu convite para trocar o MDB pelo PSB, embora a situação no MDB, que apóia a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), complica suas opções. Durante um evento em São Paulo, a ministra foi questionada sobre sua mudança de domicílio e a possível candidatura, respondendo com cautela: “Discutimos apenas a minha candidatura ao Senado. Fizemos alguns raciocínios para ver onde eu posso cumprir melhor a minha missão. Não fechamos nada”.
O cenário eleitoral para Tebet em Mato Grosso do Sul se torna cada vez mais difícil. Depois de apoiar Lula no segundo turno das eleições de 2022, sua imagem sofreu desgastes no estado, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro teve uma votação expressiva. Além disso, há resistência entre os deputados estaduais do MDB em competir com a ministra na chapa ao Senado. Portanto, a mudança para São Paulo se torna não apenas uma estratégia eleitoral, mas uma necessidade diante das circunstâncias locais.
Expectativas e Desafios na Disputa
Enquanto isso, o palanque do presidente Lula em São Paulo ainda não está completamente definido. Fernando Haddad tem mostrado resistência em relação à candidatura ao governo, mas especialistas acreditam que ele poderá ceder às pressões do partido e da administração. Em suas declarações, Tebet reforçou a importância de Haddad e do vice-presidente Geraldo Alckmin na disputa: “Eu entendo que São Paulo tem dois nomes de peso, relevantes, que têm condições de performar muito bem.” Essa afirmação destaca a complexidade do processo eleitoral que se aproxima e as alianças que precisam ser construídas.
Simultaneamente, Marina Silva se prepara para discutir seu futuro político com Lula. A ministra considera deixar a Rede e, segundo fontes, está negociais um retorno ao PT. A disposição de Marina para contribuir no processo eleitoral em São Paulo é evidente, e ela já se reuniu com dirigentes do PV, além de estar em diálogo com várias outras siglas. “São Paulo ajudou a salvar a minha vida biológica e me recolocou na cena política de uma forma incrível”, disse, destacando seu reconhecimento à importância do estado em sua trajetória.
Marina também expressou sua abertura para alianças, revelando que tem sido procurada por diversos partidos e que está avaliando as propostas. “Estou dialogando com o PT e tive uma primeira conversa muito boa com Edinho (Silva). Uma análise está sendo feita”, afirmou a ministra, indicando que sua candidatura ao Senado pode ser uma escolha importante para o futuro político de São Paulo.
À medida que os prazos para formalização das candidaturas se aproximam, tanto Tebet quanto Marina enfrentam decisões cruciais que moldarão o futuro político de suas carreiras e o cenário eleitoral paulista.

