A Política Brasileira Como um Espetáculo
A atriz Fernanda Torres fez uma analogia inusitada ao comparar o cenário político do Brasil a um “Telecatch”, uma forma de luta livre encenada que conquistou as telas da televisão brasileira entre as décadas de 1960 e 1980. Em sua visão, expressa em uma coluna publicada na Folha de S.Paulo em 2019, a política nacional parece estar mais inclinada ao espetáculo do que ao verdadeiro debate. A comparação revela não apenas uma crítica ao comportamento dos políticos, mas também uma reflexão sobre a superficialidade que, segundo ela, permeia as discussões atuais.
Em seu artigo, Fernanda destacou a figura do deputado federal Felipe Rigoni como um “alento de clareza e sensatez” em meio ao que considera uma cacofonia política. Para ela, Rigoni se destaca como um raro exemplo de moderação, em um cenário muitas vezes dominado pela exageração e pela falta de profundidade nas falas dos congressistas.
Movimento Acredito e a Nova Geração Política
A atriz mencionou também o movimento Acredito, que busca fomentar uma nova geração de políticos mais comprometidos com a ética e a eficácia na gestão pública. A deputada Tabata Amaral, associada ao movimento, foi citada por sua contundente atuação durante a sabatina do então ministro da Educação, Vélez Rodríguez. Fernanda descreveu a atuação de Tabata como um “golpe fatal” ao cobrar do ministro projetos concretos e coerência, culminando em sua renúncia.
Fernanda destacou que a missão do movimento Acredito é formar líderes que tenham a capacidade de transformar a política brasileira, uma tarefa considerada urgente em tempos de polarização extrema. Rigoni, que ficou cego na adolescência, expressou sua visão de que é possível ser liberal na economia e progressista nos costumes, uma perspectiva frequentemente ignorada em meio a debates acalorados.
A Polarização e os Desafios da Política Atual
A polarização no Congresso, segundo Rigoni, é um dos principais obstáculos para a aprovação de pautas que possam trazer benefícios reais à população. Ele argumenta que a retórica excessiva e o espetáculo político têm dificultado a implementação de políticas baseadas em dados e estudos de impacto. O recente embate do ministro Paulo Guedes durante uma sessão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) foi um exemplo dessa dinâmica, onde o tom hostil predominou, refletindo a falta de diálogo construtivo entre os parlamentares.
A atriz, por sua vez, confessou que, apesar de suas reservas em relação à postura de Guedes, acabou se sentindo solidária ao ministro durante a discussão, questionando a falta de presença de parlamentares favoráveis à reforma da Previdência. Essa ausência, segundo ela, pode estar relacionada a uma estratégia de evitar compromissos que possam ser usados contra eles nas próximas eleições.
Crítica ao Elenco Político
Fernanda criticou a composição do atual governo, ressaltando que ministros como Vélez, Damares Alves e outros são parte de um elenco que parece destinado ao fracasso. Ela também chamou atenção para o uso das redes sociais por figuras políticas, que mais parecem interferir na dinâmica da política do que contribuir com um debate produtivo. As críticas à administração atual se intensificam quando se considera o papel que a oposição deve desempenhar frente a um governo que, segundo ela, não se mostra eficaz.
Para finalizar, a atriz conclui que, em meio a tanto alvoroço, é necessário que a política se transforme em algo mais substancial do que simples dramalhões e espetáculos. A proposta é que os políticos deixem de lado a superficialidade e se inspirem no trabalho de novos integrantes como Rigoni e Tabata, que buscam eficiência e resultados concretos para a sociedade. O que se espera, portanto, é que o barulho excessivo dê lugar a um debate mais sério e construtivo.

