A Necessidade de Fortalecer Políticas Educacionais
O ano de 2025 deve ser lembrado como um marco de progressos significativos e estruturais para a educação no Brasil. Esse período é caracterizado pelo fortalecimento de iniciativas que colocaram a política educacional como uma prioridade na coordenação entre diferentes esferas de governo, promovendo a colaboração entre os entes federativos e buscando a construção de compromissos de longo prazo. Em um país que, historicamente, enfrenta a fragmentação das políticas públicas, estabelecer bases comuns e acordadas se revela como um passo importante para o avanço educacional.
Dois eventos-chave ajudam a entender essa fase. O primeiro é a aprovação do Sistema Nacional de Educação (SNE), que proporciona um quadro mais claro para a articulação entre União, estados e municípios, definindo responsabilidades e fortalecendo a cooperação, além de estabelecer parâmetros para uma atuação conjunta. O segundo é a elaboração do novo Plano Nacional de Educação (PNE), que avança ao estabelecer metas objetivas, mecanismos de monitoramento e compromissos que transcendem os ciclos eleitorais.
O Ensino Médio Integral em Destaque
Nesse cenário, destaca-se a consolidação do Ensino Médio Integral como uma política pública de abrangência nacional. Ao longo de 2025, o foco das discussões passou a ser como garantir a expansão dessa modalidade com qualidade e equidade. A proposta do novo PNE avança significativamente ao abordar o tema, especialmente no que se refere à meta 6, que busca ampliar as matrículas e a oferta de escolas de tempo integral, representando um passo crucial para consolidar o ensino integral como uma política educacional permanente.
As evidências acumuladas nos últimos anos respaldam essa escolha. Redes que investiram de maneira consistente na educação integral apresentaram melhorias nos resultados de aprendizagem, redução das taxas de evasão escolar e um maior acesso dos estudantes ao ensino superior. Esses impactos são ainda mais evidentes em regiões vulneráveis e entre estudantes negros e indígenas, reforçando o ensino integral como uma das políticas mais eficazes no combate às desigualdades educacionais no Brasil.
Articulação Institucional e Desafios Futuros
Os avanços observados em 2025 também são frutos do fortalecimento da articulação institucional. A atuação do Ministério da Educação, a promoção de um diálogo federativo mais consistente e um Congresso Nacional comprometido na construção de consensos foram elementos essenciais para criar um ambiente propício à continuidade das políticas educacionais e à pactuação de objetivos comuns.
O ano de 2026 será decisivo, não apenas por ser um período eleitoral, mas também pela fase final de tramitação do novo PNE no Senado. Além da disputa pela presidência, estarão em jogo as diretrizes da política educacional nos estados, que são responsáveis pela implementação do Ensino Médio Integral. Atualmente, a oferta de ensino integral apresenta desigualdades significativas em todo o território nacional, tornando as decisões dos próximos governos estaduais fundamentais para garantir que mais jovens tenham acesso a essa política.
O Compromisso com a Consolidação das Políticas Educacionais
Historicamente, as eleições trazem riscos reais de descontinuidade nas políticas públicas, afetando especialmente aquelas que já demonstram resultados positivos. No âmbito educacional, essa descontinuidade impacta diretamente as trajetórias dos estudantes, que são sujeitas a mudanças abruptas de orientação.
Portanto, mais do que celebrar conquistas, é crucial reafirmar um compromisso com a consolidação. Fortalecer o Sistema Nacional de Educação, assegurar a aprovação e implementação do novo PNE, estruturar mecanismos de monitoramento das metas e garantir que a expansão do Ensino Médio Integral ocorra com critérios de qualidade e equidade são compromissos que devem ser assumidos explicitamente por todas as candidaturas e pelos futuros gestores públicos. Isso inclui a criação de mecanismos permanentes de monitoramento e avaliação das metas, com transparência e acompanhamento público, fortalecendo o papel do Ministério da Educação na coordenação e no suporte técnico às redes, para que os objetivos pactuados não fiquem apenas no papel.
A educação brasileira avançou significativamente em 2025. O desafio para 2026 não é recomeçar, mas sim sustentar, aprimorar e expandir o que já está funcionando. Quando as políticas educacionais são continuadas, quem sai ganhando é o país, e, principalmente, seus jovens.
Ana Paula Pereira é diretora-executiva do Instituto Sonho Grande; Maria Slemenson é superintendente do Instituto Natura Brasil.

