Iniciativa de Estudantes de Pernambucano Contra Violência Doméstica
Um projeto inovador, desenvolvido na Escola Técnica Estadual (ETE) Ministro Fernando Lyra, localizada em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, se destacou ao conquistar o segundo lugar no Brasil durante a 12ª edição do programa Diálogos, parte da Brazil Conference. Este evento é reconhecido como a maior conferência de estudantes brasileiros no exterior, atraindo mais de 600 participantes de todo o país. Dentre as 128 equipes inscritas, o projeto foi o melhor do Nordeste, evidenciando a relevância e a qualidade do trabalho realizado.
Denominado Projeto Vivas, a ideia foi criada por dois estudantes, hoje egressos, Ingridy Silva e Kauã Silva, sob a orientação da professora Eligivania Macedo, que também é gestora da escola. O principal objetivo da iniciativa é fornecer um canal para o registro de casos de violência doméstica, utilizando um aplicativo de celular que permite aos usuários comunicar situações de agressão que vivenciam ou testemunham em suas residências.
A Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco (SEE-PE) informou que, após o registro dos casos, as famílias são acolhidas pela escola, recebendo orientações sobre medidas de proteção, acesso à rede de apoio e encaminhamentos necessários. A implementação do aplicativo visa não apenas a denúncia, mas também a criação de uma rede de suporte para as vítimas.
Além de abordar a questão da violência doméstica, o Projeto Vivas tem um forte compromisso com a autonomia econômica das mulheres atendidas. Conforme informado pela SEE, a proposta inclui orientações sobre qualificação profissional e possibilidades de empreendedorismo, proporcionando às mulheres as ferramentas necessárias para romperem o ciclo de dependência econômica em relação aos agressores.
“Quando uma mulher sofre violência, não é somente ela que é afetada. A estrutura familiar também é impactada, especialmente as crianças. Esse sofrimento se reflete na escola, afetando a rotina dos alunos e podendo resultar em evasão escolar. Essa foi uma das motivações que nos levou a desenvolver essa reflexão”, explicou Ingridy, que hoje atua como agente da Busca Ativa na mesma escola.
Kauã Silva, atualmente estudante de Ciência da Computação, ressaltou a importância que o conhecimento adquirido durante o curso de Desenvolvimento de Sistemas na escola teve para a concretização do projeto. “A formação técnica que tive foi crucial para transformar a ideia do Projeto Vivas em uma ferramenta prática e efetiva. Acredito que a tecnologia possui um papel transformador na sociedade”, afirmou.
De acordo com a SEE, o Projeto Vivas será apresentado em abril na Harvard University, em Cambridge, nos Estados Unidos, através de uma exibição em vídeo durante a programação oficial da conferência. A participação em um evento desse porte sinaliza um reconhecimento da relevância e inovação dessa iniciativa pernambucana.
“A proposta do projeto está diretamente relacionada ao trabalho que já realizamos na escola, com foco no empreendedorismo. Promover a autonomia financeira para essas mulheres é uma estratégia fundamental para que elas consigam romper o ciclo da violência. Ao conquistarem independência econômica, elas ampliam suas opções e conseguem sair de contextos violentos, reconstruindo suas vidas com mais dignidade e segurança”, destacou a professora Eligivania.

