As Músicas que Contam Histórias
A trilha sonora da vida de Romário Menezes de Oliveira Jr., conhecido artisticamente como Pupillo, é uma verdadeira celebração da música global. O baterista, compositor e produtor pernambucano traz ao mundo uma nova fase com seu álbum solo, intitulado “Pupillo”, lançado recentemente. Uma prévia desse trabalho foi apresentada há seis anos, quando o artista lançou o projeto “Sonorado” e reimaginou temas de novelas, colaborando com músicos de alto calibre, como Thomas Harres. Através desse projeto, Pupillo estabeleceu as bases para sua carreira solo.
Segundo a visão do artista, sua discografia solo realmente começa em 2026, com o lançamento do álbum “Pupillo”, que chegou ao público no dia 6 de março. Este trabalho reúne 12 faixas instrumentais, embora algumas incluam vocais, como no caso de “Forró no asfalto”, que conta com a participação da talentosa cantora Agnes Nunes.
Parcerias e Criações
A abertura do álbum é marcada pela música “Tropical exótica”, uma colaboração com Alberto Continentino. Essa faixa se destaca pela sua beleza sonora e pelo toque psicodélico que remete a memórias do passado de Pupillo. O artista utiliza uma variedade de instrumentos, como bateria, percussões e sintetizadores, criando uma sonoridade contemporânea que reflete suas raízes em Recife. O álbum, em algumas partes, adota uma abordagem mais universal, como demonstrado na faixa “Bem bom”, co-criada com Hervé Salters, tecladista do grupo francês General Elektriks.
Em suas redes sociais, Pupillo descreve o álbum como uma homenagem às paisagens e símbolos do Nordeste brasileiro, especialmente de Pernambuco. Ele explica: “O meu disco reverencia os símbolos e paisagens do Nordeste brasileiro, principalmente do meu estado, Pernambuco. É um recorte das minhas memórias e experiências vividas ao longo da caminhada. Faço parte de uma geração que encontrou nas adversidades o combustível para reacender a chama da autoestima e transformar essa riqueza em novas formas de expressão, respeitando a tradição e entendendo a necessidade de renovação na construção de nossa identidade”. Essas palavras refletem a essência do movimento Manguebeat, que ele menciona, um marco na música pernambucana que ganhou destaque nos anos 90.
Colaborações e Influências
Dentre as composições do álbum, “O sopro de Naná” se destaca e se conecta com “Navegando os novos tempos”, onde a voz da cantora portuguesa Carminho se afasta das tradições do fado. Em paralelo, Davi Moraes traz a viola portuguesa à faixa “Que é isso, bicho?”, que exibe as influências do Nordeste, enriquecidas pela sanfona de Felipe Costa.
Apesar da presença de diversos convidados ao longo das 12 faixas, Pupillo mantém sua posição de destaque como baterista e percussionista. Em “Mica sonic groove”, um ritmo eletrônico, ele se junta a Pedro Martins na guitarra, enquanto “Entrée” apresenta um suingue jazzy típico das trilhas sonoras cinematográficas, contando com a colaboração de músicos como Jota Moraes no vibrafone e Rodrigo Amarante nos vocais e instrumentos.
Uma Experiência Musical Prazerosa
Com uma duração de aproximadamente 37 minutos, o álbum “Pupillo” proporciona uma experiência auditiva rica e envolvente. A obra, de fato, cumpre suas promessas e pode, com o passar do tempo, se tornar ainda mais relevante, se afirmando como um vibrante retrato da diversidade musical de Pernambuco no século XXI. A trajetória de Pupillo, que agora se lança em sua carreira solo, é um testemunho da contínua evolução da música nordestina e de sua capacidade de transcender fronteiras.

