Iniciativa para Proteção da Capoeira
A capoeira, uma expressão cultural rica e diversificada, é reconhecida no Brasil e em mais de 150 países como uma importante manifestação da arte e da resistência histórica afro-brasileira. Pernambuco se destaca como um dos principais centros dessa prática, influenciando outras manifestações culturais no país. Em reconhecimento a essa relevância, o Governo do Estado, através da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Pernambuco (IPHAN-PE), lançou uma Consulta Pública online. O objetivo é coletar sugestões e contribuições para a elaboração do Plano de Salvaguarda da Capoeira, que visa garantir a proteção e a valorização dessa prática no estado.
A Consulta, que está disponível desde o dia 7 de abril e irá até 5 de maio, é destinada a todos os praticantes de capoeira e aos interessados na preservação dessa manifestação cultural. Para participar, os interessados podem acessar o link: bit.ly/4skmWdC. “Durante a Semana Estadual da Capoeira, em maio, esperamos apresentar os resultados da Consulta e dos Fóruns à comunidade, validando o Plano de Salvaguarda com todos os envolvidos,” declara Flávio Barbosa, gerente interino de Patrimônio Imaterial da Fundarpe.
Fóruns e Ações de Coleta de Dados
A Consulta Pública representa mais uma etapa na construção do Plano de Salvaguarda da Capoeira em Pernambuco. Os dados coletados serão integrados às informações obtidas durante os Fóruns para a Salvaguarda da Capoeira, que ocorreram de dezembro de 2022 a março deste ano em diversas cidades, como Salgueiro, Arcoverde, Caruaru, Palmares, Igarassu e Recife. Esses eventos reuniram mestres, contramestres e capoeiristas, promovendo discussões sobre as necessidades do setor e coletando insights sobre como assegurar a continuidade e a memória dessa prática.
A escolha das cidades para os Fóruns se baseou em uma pesquisa que identificou os locais com maior presença de praticantes de capoeira e potencial para atrair novos interessados. O desenvolvimento do Plano de Salvaguarda da Capoeira em Pernambuco está sendo realizado de forma coletiva, envolvendo aqueles que vivem e respiram essa manifestação cultural.
Entendendo a Salvaguarda Cultural
A salvaguarda cultural, como explica a historiadora Thamires Neves, da coordenação técnica do IPHAN em Pernambuco, é um instrumento de gestão que deve ser elaborado em conjunto com a comunidade. O objetivo é mapear a continuidade desse bem imaterial, garantindo sua transmissão e preservação. Isso pode incluir apoio financeiro a detentores de saberes específicos e a organização comunitária, bem como facilitar o acesso a materiais essenciais para a prática. Desde 2018, a capoeira é reconhecida como patrimônio imaterial em Pernambuco.
Um exemplo prático dos benefícios de um Plano de Salvaguarda pode ser observado no frevo, que possui seu plano desde 2012. Segundo Flávio Barbosa, atualmente o frevo conta com políticas que favorecem sua preservação, criando uma rede de trabalho que se estende além do Carnaval, além de um centro de referência para documentação e memória, o Paço do Frevo.
Continuidade das Discussões e Demandas
Entender que o desenvolvimento do Plano de Salvaguarda não é o fim das discussões sobre a capoeira é fundamental. “A entrega do Plano é um passo importante, mas a comunidade precisa continuar fiscalizando o que está sendo desenvolvido, avaliando as funções do poder público e os papéis da própria comunidade,” ressalta Flávio Barbosa. Além disso, ele destaca a necessidade de revisar o Plano periodicamente, para que as diretrizes sejam efetivamente aplicadas e apropriadas pela comunidade, promovendo um sentido de coletividade.
Atualmente, estados como Acre, Bahia, Maranhão, Pará, Paraná, Santa Catarina, Rondônia, Roraima e Rio Grande do Norte já possuem Planos de Salvaguarda para a capoeira, cada um adaptado às suas particularidades.
Demandas Apresentadas no Fórum
No Fórum realizado em Recife, no Museu do Estado, participantes levantaram diversas demandas para o setor, com foco em políticas de memória e a necessidade de um centro de referência para preservar documentos e a história da capoeira em Pernambuco. Foi destacado também a importância de regulamentar a profissão de mestre de capoeira, fortalecer o Conselho de Mestres e demarcar espaços públicos para a prática. Além de promover eventos específicos para a capoeira, o Fórum defendeu a inclusão da capoeira nas escolas, considerando que o artigo 22 do Estatuto da Igualdade Racial reconhece o capoeirista como arte passível de ensino nas instituições educacionais. “Podemos usar isso para legitimar nossa demanda e trabalhar junto à juventude,” afirmou Oberes José da Silva, conhecido como Mestre Bero.
Serviço
Consulta Pública para o Plano de Salvaguarda da Capoeira em Pernambuco
Quando: 7 de abril a 5 de maio
Onde: Online, neste link: bit.ly/4skmWdC
Público-alvo: todos os interessados.

