Impulsão do audiovisual em Rondônia
Do curta-metragem de terror psicológico ao documentário musical, a diversidade de narrativas do cinema em Rondônia tem conquistado visibilidade graças à Lei Paulo Gustavo (LPG). Esta política pública tem se mostrado fundamental para o fomento cultural, resultando em um aumento significativo na produção audiovisual e possibilitando a circulação de obras tanto no Brasil quanto no exterior.
Um exemplo notável é o curta Mucura, do cineasta Fabiano Barros, que foi selecionado para o 46º Fantasporto, um festival em Portugal dedicado ao cinema de fantasia, terror e ficção científica. Fabiano ressalta que “políticas públicas são essenciais para regiões historicamente excluídas do eixo de investimentos culturais do país. Em Rondônia, essas iniciativas permitiram que novas vozes emergissem e que as narrativas amazônicas ganhassem o reconhecimento que merecem. O recente crescimento do setor é um reflexo direto da presença do Estado como indutor cultural, promovendo diversidade, acesso e desenvolvimento através da cultura”.
Impacto Direto da Lei Paulo Gustavo
Selecionado através de edital estadual da LPG, o curta Mucura recebeu um aporte de R$ 100 mil para ser realizado. O diretor destaca que “a Lei teve um impacto decisivo no fortalecimento do cinema em Rondônia. Ela possibilitou a produção de uma série de filmes, profissionalizou equipes, estruturou produtoras locais e ampliou a exibição das obras em festivais tanto nacionais quanto internacionais. Mais do que simplesmente financiar projetos, a LPG criou condições para a continuidade do audiovisual no estado”.
Leia também: O Impacto Cultural do Pife no Cinema Global: A Trajetória de Caruaru e o Oscar 2024
Leia também: Celebrando o Cinema Brasileiro: Lula Enaltece Indicados ao Oscar 2026
O filme, que será exibido nesta quinta-feira (5) no festival português, aborda o tema do luto materno. Fabiano explica que “a ideia surgiu de um sentimento comum à maternidade: o medo constante de morrer e deixar os filhos, além da angústia de perder um filho. O horror psicológico foi o gênero escolhido, pois permite expressar emoções internas complexas que são difíceis de transpor de forma realista”.
Nacionalização do Fomento Cultural
Juraci Júnior, diretor, ator e roteirista, também comenta sobre a importância da nacionalização do fomento. “Historicamente, nossas histórias foram contadas por outros. Agora, com a LPG, a condução da nossa narrativa está em nossas mãos, permitindo decisões políticas e estéticas que refletem quem realmente somos, o que só é possível com um investimento adequado e uma política pública efetiva”, enfatiza ele.
Juraci ainda compartilha dados que comprovam o crescimento da produção audiovisual em Rondônia. “Na edição de 2024 do Festival Olhar do Norte, que celebra o cinema da Amazônia, houve a inscrição de três filmes de Rondônia, um aumento explosivo em relação aos 18 filmes do ano anterior. Isso é resultado direto dos investimentos proporcionados pela Lei Paulo Gustavo”, observa.
Leia também: Oskar: A Estatueta Dourada que Celebra o Cinema | Curiosidades e Produção
Leia também: Conselho Superior de Cinema Aprova Diretrizes do Audiovisual 2026–2035
Obras que Transcendem Fronteiras
Ainda em edital municipal da LPG, Juraci foi responsável pelo documentário musical Concerto de Quintal, que recebeu R$ 350 mil e foi premiado no 22º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá – Cinemato, em 2025. Essa produção não só venceu os prêmios de melhor longa documental como também teve sua seleção oficial na nona edição do International Folklore Film Festival, na Índia, em janeiro deste ano. O curta Kika Não Foi Convidada, voltado ao público infantil, também foi contemplado com R$ 100 mil em edital estadual.
“A Política Aldir Blanc e a Lei Paulo Gustavo foram fundamentais para a realização das minhas obras, contribuindo para a profissionalização da cadeia produtiva do audiovisual em Rondônia, um estado que carece de uma política própria de editais. Com a implementação dessas iniciativas, sonhos e projetos ganharam vida, ampliando o acesso não apenas aos profissionais da cultura, mas também a outros setores da economia”, conclui Juraci.
O Poder Transformador do Cinema
Os impactos emocionais e sociais da violência sexual, principalmente no ambiente familiar, são abordados no curta Quarto Escuro, que também contou com R$ 100 mil da Lei Paulo Gustavo. O diretor Carlos Santana afirma que “o cinema possui a capacidade de provocar reflexões e ampliar o debate público sobre questões frequentemente negligenciadas. Ao tratar desse tema de forma responsável, o filme contribui para a conscientização e o diálogo”.
Para Carlos, tanto a LPG quanto a Política Aldir Blanc marcam um período histórico de investimento cultural no Brasil. “Essas políticas ampliam o acesso aos recursos e fortalecem produções fora dos grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo, promovendo diversidade de narrativas e valorizando as identidades regionais, permitindo ao público conhecer outras realidades do país”, ressalta.
Campanha de Conscientização
No mês de março, o Governo do Brasil destaca a importância da campanha Todos Juntos por Todas, que faz parte do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. A iniciativa une os Três Poderes para prevenir, proteger e responsabilizar em casos de violência letal contra mulheres. Filmes como Quarto Escuro contribuem para o debate e ressaltam como a sociedade pode influenciar e atuar em conjunto com os Poderes para garantir e respeitar os direitos das mulheres.

