Manoel Neto Teixeira e sua dedicação à cultura
Esta coluna é uma homenagem ao jornalista Manoel Neto Teixeira, cuja vida foi dedicada integralmente à cultura e à educação. Inicialmente, ele atuou como setorista de educação no Diario de Pernambuco, cobrindo os vestibulares numa época em que os estudantes tinham à disposição uma página inteira para informações detalhadas, desde conteúdos das aulas até as notícias mais relevantes do setor. Era comum encontrar Manoel cercado de anotações, tanto no ambiente do jornal quanto nas universidades, ouvindo atentamente os professores. Essa imersão facilitou sua transição da cobertura educacional para a cultural, transformando dados em artigos, reportagens e ensaios que abordavam os temas com rigor e profundidade.
O significado da “Louvação” na cultura pernambucana
Nos anos 1970, o cantor e compositor Gilberto Gil lançou a música “Louvação”, que inspirou o escritor pernambucano Hermilo Borba Filho a batizar suas crônicas de quarta-feira com esse nome. Nessas crônicas, destacavam-se artistas e personalidades notáveis da política, cultura e religião, como Dom Hélder Câmara, homenageado diversas vezes. Ao assumir esta coluna, decidi seguir essa tradição, enaltecendo o trabalho de Manoel Neto Teixeira, com quem trabalhei por muitos anos, especialmente no Jornal Universitário da Universidade Federal de Pernambuco, onde colaboramos por cerca de uma década no Departamento de Extensão Comunitária.
Um profissional dedicado à cultura e à educação
Manoel Neto nunca apresentou um projeto literário, seja de poesia ou prosa, apesar das intensas leituras que realizava. Seu interesse não estava em emoções fáceis ou sentimentalismos, mas na disciplina do trabalho constante. Era comum vê-lo encerrar as conversas matinais de forma sucinta, focado em sua rotina diária. Escolhido pela chefia de reportagem para cobrir cultura e educação, ele se dedicou integralmente a essas áreas, sendo reconhecido na redação por sua postura profissional.
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Um estilo que refletia sua personalidade
Natural de Garanhuns, Manoel Neto mantinha um estilo discreto e elegante, sempre vestido de terno. Essa apresentação era exigida pela direção do jornal, que valorizava a imagem dos repórteres como representantes da instituição. Enquanto muitos colegas optavam por cores variadas e até dispensavam meias, Neto seguia um padrão clássico e discreto, alinhado ao que chamavam de “vestir bem com um toque tropical”. Esse estilo remetia à identidade cultural regional, refletindo as cores e o clima dos trópicos, algo que até Gilberto Freyre aprovava.
O Diario de Pernambuco e sua trajetória cultural
O Diario de Pernambuco, o jornal mais antigo em circulação no hemisfério sul, se destaca não apenas por sua longevidade, mas pela capacidade de criar significado e marcar época. Desde o início, o jornal superou a simples edição diária e apostou na participação contínua do leitor, consolidando um ecossistema multiplataforma que integra jornal, portais segmentados e rádios. Essa estrutura amplia seu alcance e relevância, mantendo sua identidade editorial e reforçando seu papel como memória viva de Pernambuco e referência em educação midiática no Brasil.
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Presença digital e liderança nas redes sociais
Atualmente, o Diario de Pernambuco lidera entre os jornais do estado, com mais de 3,7 milhões de leitores e seguidores nas redes sociais. Destaca-se no Instagram, com mais de 1,6 milhão de seguidores, e possui um portal digital que alcança diariamente mais de 400 mil acessos. Essa presença reforça a conexão entre gerações, mantendo viva a tradição de informar e valorizar a cultura local desde 1825.

