Investigação revela gastos excessivos nas festas juninas de Caruaru
O tradicional São João de Caruaru, fama consolidada como o “Maior e Melhor do Mundo”, está no centro de uma controvérsia que envolve a gestão do prefeito Rodrigo Pinheiro (PSD). O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) lançou uma recomendação urgente direcionada à Prefeitura e à Fundação de Cultura e Turismo do município, alertando para uma série de irregularidades relacionadas às contratações artísticas para os festejos juninos de 2026.
A 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Caruaru conduziu uma auditoria detalhada que cruzou informações dos Painéis de Transparência do MPPE e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE). O resultado apontou um aumento desproporcional nos valores contratados, muito acima da inflação, indicando uma possível farra de gastos e superfaturamento que impacta diretamente os cofres públicos.
Contratações diretas e valores acima da média histórica
Um dos pontos mais críticos dessa investigação é o uso de contratações diretas, por inexigibilidade de licitação, que ultrapassaram significativamente os valores médios praticados em anos anteriores. A análise feita pelo órgão fiscalizador identificou um excesso global superior a R$ 2 milhões, quantia que será arcada pelos contribuintes de Caruaru.
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Artistas com grande apelo popular estão entre os que registraram os maiores desvios nos contratos. O cantor Wesley Safadão é o destaque das distorções, com um contrato no valor de R$ 1,5 milhão, apresentando um excesso de R$ 429.597,34 em relação ao teto estabelecido pelo MPPE. Outros nomes como Pablo e a Banda À Vontade também tiveram valores inflacionados, respectivamente com sobrepreços de R$ 222.848,00 e R$ 155.999,92.
Impactos para a cultura regional e resposta da Prefeitura
Mesmo atrações tradicionais do forró — que deveriam fortalecer a cultura nordestina — figuram na lista de contratos acima da média de mercado. Entre os mencionados estão Zé Vaqueiro, Fala Mansa, Solange Almeida e Limão com Mel, o que levanta questionamentos sobre a gestão dos recursos destinados à cultura local.
A recomendação publicada no Diário Oficial no dia 4 de maio é clara: a Prefeitura de Caruaru deve suspender imediatamente qualquer pagamento que ultrapasse o teto estipulado e está proibida de firmar novos contratos sem apresentar justificativas sólidas e pesquisas de mercado transparentes. O prefeito Rodrigo Pinheiro tem um prazo de cinco dias para responder formalmente ao Ministério Público detalhando as medidas que pretende adotar para conter o que o MPPE classifica como um desperdício do dinheiro público.
Até o momento, a assessoria de comunicação da Prefeitura e da Fundação de Cultura não retornou aos contatos feitos pelo Portal, mas o espaço permanece aberto para esclarecimentos que possam interessar aos moradores e frequentadores das festas juninas de Caruaru.

