Recorde de emissões na Copa 2026
A Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, México e Canadá, promete ser a edição com maior impacto ambiental da história dos Mundiais. Segundo um estudo da plataforma internacional de contabilidade de carbono Greenly, as emissões de CO₂ equivalentes deverão alcançar pelo menos 7,8 milhões de toneladas, o dobro da última Copa realizada no Catar em 2022. Esse volume corresponde às emissões anuais de um país como Serra Leoa ou de aproximadamente 1,7 milhão de carros movidos a combustível fóssil.
O aumento se deve principalmente ao intenso volume de viagens aéreas, tanto internacionais quanto internas, que serão necessárias para transportar cerca de 6 milhões de torcedores entre os locais da competição. A distância entre algumas sedes chega a ultrapassar 4 mil quilômetros, como é o caso entre o Estádio Azteca, na Cidade do México, e o BC Place, em Vancouver, no Canadá.
Desafios ambientais e a ausência da Fifa
O estudo da Greenly também destaca que a média da distância percorrida por cada torcedor, ida e volta, será de 19,4 mil quilômetros, um aumento significativo em relação aos 13 mil quilômetros observados no Mundial do Catar. Além disso, o torneio de 2026 terá duração 10 dias maior e contará com três vezes mais espectadores do que a edição anterior, fatores que elevam ainda mais a pegada de carbono do evento.
Apesar da gravidade do cenário, a postura da Federação Internacional de Futebol (Fifa) tem sido criticada pela falta de posicionamento claro sobre o tema. A entidade, que possui metas ambiciosas para reduzir suas emissões em 50% até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2040, não se manifestou publicamente sobre o impacto ambiental da próxima Copa. A decisão de expandir o número de seleções de 32 para 48 e a recente parceria com a petroleira saudita Aramco reforçam a desconexão entre discurso e ações concretas.
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Responsabilidades e críticas à organização
Durante a Copa do Catar, a Fifa chegou a prometer neutralidade de carbono, mas foi alvo de críticas por não contabilizar as emissões indiretas relacionadas ao transporte dos torcedores. Para compensar, investiu em projetos de reflorestamento e outras iniciativas ambientais que, segundo especialistas, careceram de verificação rigorosa, criando problemas de comunicação para a entidade.
Para 2026, a Fifa reconhece que o transporte será o principal fator das emissões, mas justifica a distribuição dos jogos em estádios distantes para aproveitar as infraestruturas já existentes, evitando construções de novos estádios. A responsabilidade de mitigar os impactos ambientais foi repassada aos países anfitriões, que deverão atuar em áreas como transporte, energia, alimentação e gestão de resíduos.
Especialistas, como Stuart Parkinson, autor do relatório do New Weather Institute, reforçam que a Fifa precisa assumir um papel ativo na crise climática. Parkinson alerta que a Copa de 2026 está destinada a ser a mais poluente da história, e que os torneios futuros devem buscar reduzir drasticamente as emissões, especialmente as provenientes do transporte aéreo e outras atividades altamente poluentes.
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Perspectivas para as próximas Copas
O modelo de sediar jogos em diferentes países será repetido em 2030, quando Portugal, Espanha e Marrocos receberão a Copa do Mundo. O especialista Alexis Normand ressalta que essa será uma oportunidade para implementar medidas de sustentabilidade mais eficazes, tomando como referência os Jogos Olímpicos de Paris, que conseguiram limitar seu impacto ambiental a 2,08 milhões de toneladas de CO₂, o menor desde Londres 2012.
Normand defende que investimentos em infraestrutura, especialmente no Marrocos, sejam direcionados para projetos de baixo carbono, com critérios ambientais rigorosos para licitações. Ele sugere um “Plano Marshall” para modernizar redes ferroviárias, instalar fontes de energia renovável e reformar instalações esportivas, reduzindo significativamente a pegada de carbono do transporte e dos estádios.
Com o aumento do público, a extensão do torneio e a maior dispersão geográfica das partidas, a Copa do Mundo de 2026 desafia organizadores e entidades a repensarem sua atuação frente às mudanças climáticas. O próximo Mundial será um teste decisivo para o equilíbrio entre o espetáculo esportivo e a responsabilidade ambiental.

