Filme “Amadeo e o Hipotético Mundo Novo” representa Pernambuco no Festival de Xangai
O cinema pernambucano ganha destaque internacional com a estreia do longa-metragem de animação “Amadeo e o Hipotético Mundo Novo” na 28ª edição do Festival Internacional de Cinema de Xangai, na China. A produção, que será exibida pela primeira vez ao público no dia 15 de junho, é fruto da parceria entre a SAGUI Studio e a Refúgio Onírico, estúdios localizados em Caruaru. Com codireção da recifense Brenda Lígia e Edu Felistoque, o filme traz uma narrativa que valoriza a cultura negra e ressignifica a história do Brasil no século 19.
Uma releitura histórica com olhar afrocentrado
“Amadeo e o Hipotético Mundo Novo” acompanha a trajetória de Amadeo, um jovem da Guiné-Bissau que inventa a fotografia antes dos europeus. Por meio dessa invenção, ele ajuda pessoas escravizadas a conquistarem sua liberdade, convidando o público a refletir sobre símbolos e conceitos históricos. A diretora Brenda Lígia destaca o orgulho de realizar um trabalho integralmente produzido em Caruaru, ressaltando que, apesar da participação de profissionais de várias regiões do Brasil, o filme carrega um DNA pernambucano marcante, da concepção à execução.
“Quando perguntarem, lá em Xangai, de onde o filme é, vamos enaltecer que ele é brasileiro, mas, acima de tudo, de Pernambuco”, afirma Brenda, que também faz parte do elenco de vozes no papel de uma integrante da trupe de artistas itinerantes que acolhe Amadeo ao chegar ao Brasil.
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Fonte: novaimperatriz.com.br
Produção local e o crescimento da animação no Agreste
O diretor de arte e animação Everton Amorim ressalta a importância da descentralização da produção audiovisual no estado. “Os filmes animados em longa-metragem são recentes em Pernambuco, e é incrível poder representar o Brasil e Pernambuco em um evento tão distante da nossa cultura”, comenta. Ele destaca ainda a luta para ampliar a presença da animação no Agreste, fortalecendo esse espaço artístico na região.
O roteiro do filme, que começou a ser desenvolvido há mais de 20 anos por Edu Felistoque, teve sua origem em uma peça de teatro. Com o tempo, a ideia evoluiu para um longa-metragem live-action, até que a equipe optou pelo formato de animação, que melhor comporta a jornada épica do personagem. Segundo a produtora Maddu Cavalcante, “Amadeo” deve circular em festivais nacionais e internacionais antes de sua estreia comercial, prevista para o período da Consciência Negra.
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Fonte: soudebh.com.br
Circulação e relevância cultural
Com uma narrativa que dialoga diretamente com a história afro-brasileira e uma produção inteiramente pernambucana, “Amadeo e o Hipotético Mundo Novo” reforça a importância da valorização da cultura e da memória regional. A estreia em Xangai marca um passo significativo para a visibilidade da animação feita no Agreste e abre espaço para novas discussões sobre representatividade e identidade cultural no audiovisual brasileiro.

