Memória e arte no antigo armazém de açúcar
“Guardar a história é ser útil ainda.” Essa frase dá as boas-vindas aos visitantes do “Museu da Memória”, instalação permanente assinada pelo artista Júlio Villani, inaugurada nesta terça-feira (13) na Usina de Arte, em Água Preta, na Mata Sul de Pernambuco. O trabalho de Villani ressignifica máquinas, ferramentas, estruturas e arquivos da antiga Usina Santa Terezinha, criando uma experiência que une memória, patrimônio industrial e arte contemporânea.
Os objetos, que acompanharam a rotina da usina e da comunidade local, recebem novas interpretações por meio das intervenções do artista. Hoje, vestígios de uma estrutura industrial, esses elementos preservam marcas do trabalho e da história da região, dialogando com a trajetória de Villani, conhecido por transformar objetos cotidianos em arte.
Residência artística e diálogo com a história local
A instalação ocupa o antigo armazém de açúcar da Usina, um espaço com mais de 600 metros quadrados. O projeto é fruto de uma residência artística que Villani realizou no local, reunindo mais de 50 peças antigas que passam a integrar a obra a partir de intervenções e releituras. A composição também inclui frases encontradas nas estruturas e inscrições preservadas em objetos que resistiram ao tempo, além de homenagens às pessoas que fizeram parte da rotina da região.
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Para Bruna Pessôa de Queiroz, presidente da Usina de Arte, a dimensão humana é fundamental no trabalho de Villani. “O que mais me emociona é perceber que ele não olhou apenas para os objetos ou para a arquitetura, mas para as pessoas. Para quem construiu essa Usina, trabalhou aqui, viveu essa história e deixou sua marca nesse lugar”, destaca.
Uma década de arte e transformação na Mata Sul
A inauguração da instalação integra a programação dos dez anos da Usina de Arte. Na quinta-feira (15), será lançado o livro “Usina de Arte – A construção de uma utopia”, escrito pelo jornalista e antropólogo Bruno Albertim, em parceria com a Companhia Editora de Pernambuco (CEPE). A obra percorre a história do espaço, suas transformações e os projetos desenvolvidos ao longo dos anos, e será apresentada durante a ART.PE, no Recife Expo Center, com a presença de Bruna Pessôa de Queiroz, Ricardo Pessôa de Queiroz e Bruno Albertim.
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Fonte: alagoasinforma.com.br
Em uma década, a antiga Usina Santa Terezinha tornou-se um polo que conecta arte contemporânea, educação, natureza e desenvolvimento local. Artistas renomados como Marina Abramovi, Artur Lescher, Carlos Garaicoa, José Rufino, Alfredo Jaar, Regina Silveira e Flávio Cerqueira já expuseram ali. Além disso, o espaço promove iniciativas educativas, como a Escola de Música, FabLab Mata Sul, Biblioteca e Centro de Conhecimento, fortalecendo parcerias com instituições de ensino da região e ampliando o acesso à cultura.

