Início das Cirurgias Programadas
A Rede D’Or, uma das maiores redes de hospitais do Brasil, inicia suas atividades no programa Agora Tem Especialistas, com as primeiras cirurgias cardiológicas agendadas para janeiro. Os pacientes serão encaminhados pelas secretarias municipais de saúde do Rio de Janeiro e Niterói. A responsabilidade pelo agendamento é dos gestores locais, que selecionam os indivíduos segundo os critérios estabelecidos em suas centrais de regulação.
Com essa parceria, o Ministério da Saúde busca não apenas agregar serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS), mas também diminuir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias, focando em áreas como oncologia, cardiologia, ortopedia, ginecologia, otorrinolaringologia, oftalmologia e nefrologia.
Hospitais Participantes e Benefícios
Atualmente, um total de oito instituições privadas e filantrópicas já estão colaborando com o SUS por meio do programa. Exemplos incluem o Hospital das Clínicas em Alagoinhas (BA) e a Fundação Lucas Machado/Feluma em Belo Horizonte (MG). Outros hospitais, como o Centro Especializado em Olhos Cynthia Charone em Belém (PA) e o Neotin Neonatal em Niterói (RJ), também fazem parte dessa rede de atendimento.
Além das oito instituições já operacionais, cerca de 20 outros hospitais em diferentes estados estão prontos para receber pacientes, após terem passado por todas as aprovações necessárias. Juntos, esses 28 hospitais são responsáveis pela conversão de R$ 150 milhões em dívidas com a União em mais procedimentos de saúde para o SUS.
Investimentos e Impacto na Saúde Pública
O ministro da Saúde expressou entusiasmo com o avanço do programa, informando que, ao final deste ano, foram investidos R$ 150 milhões em cirurgias e exames contratados. “Esse recurso é uma oportunidade que não teria surgido sem a implementação dessa iniciativa. O impacto vai além do financeiro; utilizamos os profissionais e equipamentos disponíveis, o que representa uma enorme diferença para aqueles que aguardam por tratamentos especializados no SUS”, afirmou.
Critérios para Novas Adesões
Para que novos hospitais se juntem ao programa, é necessário que eles manifestem interesse e comprovem sua capacidade técnica e operacional. A oferta de serviços de saúde deve atender às demandas da rede pública em estados e municípios, sendo submetida a um rigoroso processo de avaliação pelo Ministério da Saúde e pelos gestores locais.
Até o momento, quase 160 hospitais privados tiveram suas manifestações de interesse aceitas, e estão em fase de avaliação. A expectativa é que mais unidades de saúde se integrem ao programa conforme novos contratos sejam firmados, ampliando ainda mais o acesso da população aos serviços de saúde.
Iniciativas Complementares e Acordos Técnicos
Além da conversão de dívidas em atendimentos, o setor privado está contribuindo em várias frentes, como oferecendo atendimentos móveis em carretas de saúde, participando de mutirões e reforçando os atendimentos nas áreas oncológicas e em outras especialidades. Isso proporciona uma abrangência maior no cuidado à saúde da população.
Recentemente, o ministro Alexandre Padilha também firmou uma carta de intenção com o Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa, visando a cooperação em pesquisas nas áreas de neurociências, oncologia, edição gênica e terapias avançadas. O intuito é desenvolver projetos em conjunto, promovendo o intercâmbio de conhecimentos técnicos e científicos.
Desafios na Formação de Especialistas
No Rio de Janeiro, foi assinado um acordo de cooperação técnica com a Sociedade Brasileira de Anestesiologia. O objetivo é avaliar a necessidade de médicos anestesiologistas no Brasil e aprimorar a formação dos profissionais na área. “Um dos grandes desafios para melhorar o número de cirurgias eletivas é capacitar mais anestesiologistas qualificados. Este acordo é um passo importante para qualificarmos 300 especialistas e mapearem os serviços disponíveis em todo o Brasil”, destacou o ministro Padilha.

