A liberdade de escolha na carreira e na vida
Bella Campos chegou à redação do GLOBO com os cabelos lisos, surpreendendo a repórter que a conheceu como a atriz que empoderou diversas mulheres a aceitarem seus cabelos cacheados e naturais. O corte de Maria de Fátima, personagem da novela “Vale Tudo” da TV Globo, se tornou um verdadeiro sucesso, e, com bom humor, Bella responde: ‘Podemos ser muitas e fazer o que quiser, não é?’
A atriz, aos 28 anos, tem conquistado espaço e respeito na televisão e no cinema desde que interpretou a Muda na novela “Pantanal”, e não permite que a coloquem em caixas. Para ela, o poder de escolha é um dos aspectos mais valiosos do sucesso. Recentemente, Bella decidiu cortar suas madeixas de forma radical.
Além de atuar, a artista agora se dedica ao cinema. Atualmente, ela está em cartaz com “Cinco tipos de medo”, um filme dirigido por Bruno Bini que conquistou quatro Kikitos no Festival de Gramado. Bella também faz parte do elenco do novo projeto “Por um fio”, de David Schurmann, e finaliza as gravações de “A estranha na cama”, um thriller erótico onde contracena com Paolla Oliveira e Emilio Dantas. Recentemente, ela participou do videocast “Conversa vai, conversa vem”, que será exibido hoje no YouTube e Spotify, onde compartilha algumas reflexões sobre sua trajetória.
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Reflexões sobre a violência e empoderamento feminino
No filme “Cinco tipos de medo”, Bella interpreta a enfermeira Marlene, que enfrenta uma relação abusiva. Para ela, discutir temas como a violência contra a mulher é crucial, principalmente em um contexto com altos índices de feminicídio. ‘É importante mostrar que existem saídas como conhecimento e educação financeira. Mas também precisamos olhar para a estrutura pública que aprisiona as mulheres’, afirma.
Quando questionada sobre seus próprios medos, Bella foi clara: ‘Não ter poder de escolha’. Para ela, a liberdade de ser quem é e de tomar suas próprias decisões é fundamental. ‘O que mais valorizo no meu sucesso é ter a capacidade de decidir o que fazer da minha vida. Caminho para quebrar paredes e ocupar o lugar que acredito que devo ocupar’, destaca.
Sobre a pressão para viver de acordo com um padrão de sucesso, a atriz menciona a cobrança de adquirir uma mansão ou viver uma vida de glamour. ‘Hoje estou linda, mas às vezes quero vestir algo mais simples. Quero estar onde quiser, vestindo o que quiser’, diz, revelando os desafios de equilibrar a fama com o desejo de liberdade.
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Enfrentando críticas e construindo autoestima
No passado, Bella enfrentou críticas intensas, especialmente após sua atuação como Maria de Fátima. Contudo, ela revela que, mesmo sem ter frequentado as melhores escolas de atuação, sempre foi movida pela coragem e pela vontade de se desenvolver. ‘Fui criticada, mas a Maria de Fátima se tornou um ícone. Muitas mulheres adotaram o ‘Mary Faty hair’, e isso me deixa orgulhosa’, compartilha. Para ela, a linha entre fracasso e sucesso é tênue, e a vida é curta demais para não aproveitar cada oportunidade.
Durante a conversa, Bella também reflete sobre sua infância e os desafios de crescer sem sua mãe por perto, que foi em busca de trabalho na Itália. Esse vazio, segundo ela, gerou sentimentos que ainda estão sendo processados. ‘Sempre admirei minha mãe, mas também carrego um buraco que precisa ser preenchido. É essencial expressar nossa raiva e insatisfação. Mulheres têm o direito de se sentir e agir de acordo com suas emoções’, afirma.
A construção da autoestima e o papel da mulher na sociedade
A relação de Bella com seu cabelo também é uma metáfora de sua jornada pessoal. ‘Cresci em um ambiente onde o alisamento era comum, mas ao ver influenciadoras falarem sobre cabelos cacheados, comecei minha transição. Ver minha irmã de 15 anos com cabelos cacheados é uma vitória para mim’, diz ela, enfatizando a importância do empoderamento feminino e da aceitação.
Sobre o impacto da sociedade machista na autoestima das mulheres, Bella acredita que a insegurança gerada impede que elas atinjam todo seu potencial. ‘Precisamos ter tempo para pensar politicamente e não deixar que expectativas superficiais nos definam. Se queremos mudar o mundo, devemos nos valorizar’, conclui. Além disso, Bella se destaca na publicidade, sendo muito procurada por marcas que se conectam com a geração Z. ‘Acredito que dividir vulnerabilidades é a chave para construir uma comunicação efetiva’, finaliza.

