Uma Travessia Sonora do Sertão ao Mar
Do sertão do Moxotó às paisagens do Recife, passando pelo Cristo Redentor e pela vibrante Salvador, o novo álbum de Vertin, “Berro do Bode”, se configura como uma verdadeira travessia sonora repleta de simbolismo. Completando seu quarto trabalho solo, o cantor, compositor e ator adota o bode como seu alter ego, utilizando essa figura para abordar temas como política, fé, identidade e deslocamento. O resultado é um grande “bailão”, como ele mesmo descreve, recheado de ritmos e emoções.
Gravado em locais emblemáticos como Arcoverde, Recife e São Paulo, o álbum teve a produção de Vertin em parceria com Lucas Crasto. A mixagem e a masterização ficaram sob a responsabilidade de Janja Gomes, feita no Estúdio Medusa, em São Paulo. Um detalhe interessante é a inclusão de uma audiodescrição na última faixa, ampliando o acesso à obra e demonstrando o compromisso do artista com a inclusão.
Metáforas e Narrativas do Sertão
A figura do bode é a metáfora que permeia todo o disco, associada à resistência, às tradições sertanejas e a uma série de simbolismos que vão da oferenda religiosa ao conceito de “bode expiatório”. Em suas palavras, Vertin destaca: “Eu sou o bode que berra no disco”. Ele reflete sobre as várias interpretações que essa figura pode ter, dizendo que pode ser tanto o bode sagrado quanto aquele que carrega um estigma social.
O bode, então, se torna um viajante que deixa o interior do Brasil e busca novas realidades. “Meu bode não ficou só no Sertão, ele viu o Sertão e buscou o mar”, conta o artista, evocando influências que vão desde o axé baiano até reflexões sobre as desigualdades nas grandes cidades.
Um Contexto de Maturação e Transformação
A criação de “Berro do Bode” não foi um processo instantâneo. O projeto começou a ser idealizado há aproximadamente 12 anos, inicialmente com outro nome e repertório. Após algumas tentativas frustradas para angariar recursos por meio de editais, Vertin decidiu reformular o conceito e acabou lançando outros projetos. “Fiquei ali maturando esse disco, que se chamava ‘Para Vós’ e tinha um repertório diferente. Ao longo dos anos, ele foi se transformando”, revela.
Em 2024, o apoio do Funcultura Música, programa do Governo de Pernambuco, possibilitou que o projeto finalmente ganhasse vida. A produção do álbum durou quase dois anos, com gravações em estúdios de Arcoverde, Recife e São Paulo, o que acrescentou camadas à sonoridade final.
Ritmos que Transcendem Fronteiras
Embora o conceito central do álbum gire em torno do bode, a diversidade sonora é um dos aspectos mais fascinantes de “Berro do Bode”. Vertin explora uma variedade de ritmos, incluindo coco, baião, reisado, toré, pop, rock, axé, samba e até referências ao rock progressivo e ao jazz. “Unimos tudo o que amamos na diversidade rítmica brasileira e do mundo”, comenta o artista. “Eu diria que, apesar de toda essa diversidade, a música parece uma só”.
Uma das faixas, “Segura o Trupé”, se aprofunda nas tradições do samba de coco de Arcoverde, com um toque especial do sapateado com tamancos de madeira. Já “Cristal” revisita as influências do axé baiano dos anos 1990, criando um diálogo com a memória afetiva do artista, que tem suas raízes na cidade de Juazeiro.
Essa mistura de ritmos reflete não apenas a trajetória musical de Vertin, mas também sua vida, marcada por constantes mudanças. “Eu nasci em Juazeiro, fui registrado em Petrolina, e cheguei a Arcoverde antes de completar cinco anos. Minha infância foi repleta de mudanças”, revela, conectando sua experiência pessoal à ideia de uma jornada musical que desafia fronteiras.
“‘Berro do Bode’ é meu baile, onde coloco tudo que vivi e ouvi de música até agora”, sintetiza Vertin, ao afirmar que este baile nasceu no sertão, mas busca romper barreiras.
Lançamento do Álbum
Para lançar “Berro do Bode”, Vertin, acompanhado de músicos talentosos como Lucas Crasto (contrabaixo), Kell Calixto (bateria e percussão), Phillippi Oliveira (guitarra) e Olegário Lucena (guitarra e violão de 12 cordas), realizará duas apresentações especiais. Os shows estão agendados para amanhã (5), no Sesc Caruaru, e na sexta-feira (6), no Sesc Arcoverde, ambos com início às 20h e com entrada gratuita.
Serviço:
Show-espetáculo de lançamento de “Berro do Bode”
Quando: Quinta (5), às 20h
Onde: Sesc Caruaru/Teatro Rui Limeira Rosal – Rua Rui Limeira Rosal, s/n, Petrópolis – Caruaru-PE
Entrada gratuita – com retirada dos ingressos no local uma hora antes da apresentação
Quando: Sexta (6), às 20h
Onde: Sesc Arcoverde/Teatro Geraldo Barros – Rua Capitão Arlindo Pacheco, nº 364, Centro – Arcoverde-PE
Entrada gratuita – com retirada dos ingressos no local uma hora antes da apresentação

