O Impacto de ‘O Testamento’ no Cenário Cultural
A diretora Camila Appel, responsável pela série documental ‘O testamento: O segredo de Anita Harley’ disponível no Globoplay, compartilha suas reflexões sobre uma possível segunda temporada. Embora não existam planos concretos para novos episódios, a narrativa permanece aberta a desdobramentos. Sua decisão de integrar a série ocorreu em cima da hora, o que adicionou uma camada de complexidade à história. Apesar dos desafios enfrentados para convencer os entrevistados, a equipe garantiu uma edição equilibrada e isenta, fator que contribuiu para o sucesso da produção.
Diante da repercussão de ‘O testamento: O segredo de Anita Harley’, que rapidamente se tornou um assunto popular nas redes sociais, Camila Appel, que faz parte do Núcleo de Documentários dos Estúdios Globo, tem sido frequentemente abordada em entrevistas informais. As perguntas dirigidas a ela variam de “quem você acha que está certo na disputa judicial?” até “teremos uma continuação?”. Em resposta à segunda indagação, ela declara: “Não estamos programando nada, mas é uma história em aberto.”
A notoriedade de Appel se deve ao seu papel como narradora da série, que a acompanha em sua jornada por uma história repleta de reviravoltas. A ideia de sua presença diante das câmeras surgiu no último momento, por sugestão de seus colegas do Núcleo, Ricardo Calil e Iuri Barcelos, que coescrevem o roteiro com ela. “Estava tudo gravado e editado”, revela a jornalista. “Porém, sentimos que faltava a perspectiva de quando eu contava essa história para as pessoas. Brincávamos que eu andava pela Globo explicando o caso (risos). Era esse impacto que não estávamos capturando. Então, Calil e Iuri disseram: ‘você precisa entrar na história’.”
Convencer o público sobre a viabilidade da série não foi uma tarefa simples. Embora muitos se interessassem pela trama, havia dúvidas sobre sua adaptação em formato de série. Camila já havia abordado o tema em uma matéria para o Fantástico, que revelou parte do paradoxo envolvido. Após receber a aprovação, a diretora enfrentou mais um desafio: persuadir Daniel Silvestri, Suzuki e Arthur. “Eles estavam receosos sobre uma possível edição enganosa, temendo que suas falas fossem descontextualizadas. No entanto, ninguém sentiu que teve mais ou menos espaço na narrativa, e todos se sentiram respeitados”, acrescenta.
Pedro Bial, diretor do Núcleo de Documentários, enfatiza que a “edição sem juízo de valor” é um dos pilares que sustentam o êxito das produções realizadas pelo departamento. “Em produções como ‘Vale o escrito’ e ‘O testamento’, estamos sempre contando histórias. Não existem vilões ou heróis”, afirma.
Assim como na série que explora o jogo do bicho, o público já assimilou a narrativa, levando alguns entrevistados a serem reconhecidos como figuras icônicas. As primas de Anita, Andréa e Juliana Lundgren, são exemplos disso. “Eu sabia que elas eram carismáticas, mas, para mim, toda essa história é profundamente triste”, reflete Camila.

