Entendendo os Riscos das canetas emagrecedoras
A diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está em discussões sobre uma proposta de instrução normativa que visa regular os procedimentos e requisitos técnicos dos medicamentos conhecidos como agonistas do receptor GLP-1, popularmente chamados de canetas emagrecedoras. Esses medicamentos, que incluem a semaglutida, tirzepatida e liraglutida, têm se tornado cada vez mais populares, mas seu uso indiscriminado e o surgimento de um mercado ilegal levantam preocupações.
Atualmente, a aquisição dessas canetas é permitida apenas por meio de receita médica, devido aos potenciais riscos à saúde. A Anvisa, ciente da gravidade da situação, vem implementando ações para combater a venda ilegal, que muitas vezes envolve versões manipuladas desses medicamentos. A agência também formou grupos de trabalho para aprimorar o controle sanitário e assegurar a proteção dos pacientes.
Colaboração para Uso Seguro
Recentemente, o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF), em parceria com a Anvisa, assinaram um compromisso visando promover o uso seguro e consciente das canetas emagrecedoras. O foco é prevenir riscos sanitários que possam advir do uso inadequado e proteger a saúde da população brasileira.
Em entrevista à Agência Brasil, Neuton Dornelas, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), compartilhou sua visão sobre o impacto dessas medicações no tratamento da obesidade e diabetes. Segundo ele, embora esses medicamentos representem uma revolução, o uso irresponsável gera preocupações significativas.
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A Revolução no Tratamento da Obesidade
Dornelas descreve os medicamentos como eficazes e potentes, abertos a novas possibilidades de tratamento para pessoas que convivem com a obesidade. Ele afirmou que esses medicamentos são capazes de proporcionar uma perda de peso significativa, algo que outros tratamentos anteriores não conseguiram alcançar com a mesma eficácia e segurança.
“Para aqueles que enfrentam uma condição de saúde crônica, a promessa de um tratamento eficaz abre novas esperanças. Além de auxiliar na redução de peso, essas medicações também ajudam no controle da glicose, diminuindo o risco cardiovascular”, declarou Dornelas.
No entanto, um levantamento recente da Anvisa indicou que a importação de insumos para a manipulação dessas canetas está desalinhada com o mercado nacional. Em apenas seis meses, foram importados mais de 100 quilos de insumos, o que permitiria a produção de cerca de 20 milhões de doses. Além disso, a agência apreendeu 1,3 milhão de unidades de medicamentos que apresentavam algum nível de irregularidade.
Desafios do Uso Indiscriminado
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Para ele, o aumento no consumo desenfreado desses medicamentos se deve principalmente ao mercado paralelo. Ele sugeriu que a Anvisa considere a possibilidade de suspender a manipulação desses produtos temporariamente, até que se desenvolvam medidas mais eficazes para coibir abusos.
Os Mecanismos de Ação e Seus Riscos
Os medicamentos atuam de maneira integrada em três frentes principais: no controle dos níveis de glicose, no retardamento do esvaziamento gástrico, o que proporciona uma sensação de saciedade prolongada, e na diminuição do apetite através de sinais ao cérebro. De acordo com Dornelas, a semaglutida pode resultar em uma perda de peso média de 15%, enquanto a tirzepatida pode chegar a até 25%, dependendo de fatores como dosagem e adoção de um estilo de vida saudável.
Contudo, todo medicamento pode acarretar efeitos colaterais. Entre os mais comuns das canetas emagrecedoras estão náuseas, vômitos e outros sintomas gastrointestinais. Com o uso inadequado e a compra em fontes não seguras, esses riscos se amplificam.
Cuidados Necessários no Uso de Medicamentos
Dornelas alertou sobre a possibilidade de efeitos colaterais mais graves, como a pancreatite, uma condição que já afeta milhares de brasileiros anualmente. Essa complicação pode ser potencializada pelo uso impróprio dos medicamentos, pois o atraso no esvaziamento gástrico pode levar ao acúmulo de bile na vesícula, aumentando a probabilidade de formação de cálculos.
Para garantir a segurança no uso desses medicamentos, o presidente da Sbem destacou quatro pilares essenciais: a utilização de produtos legais e registrados no Brasil; a prescrição médica adequada e acompanhamento contínuo; a compra em farmácias confiáveis; e a adesão rigorosa às dosagens recomendadas. É fundamental que o consumidor esteja ciente dos riscos e procure orientação médica antes de iniciar qualquer tratamento.
Dornelas reforçou que, embora náuseas e outros efeitos possam ocorrer, não são garantidos e que muitos pacientes não experienciam efeitos colaterais significativos. No entanto, dor abdominal intensa deve ser considerada um sinal de alerta, pois pode indicar complicações graves. “A dor abdominal é um dos sinais mais preocupantes”, concluiu.

