Urgência no Combate à Violência de Gênero
Durante sua fala no Plenário nesta terça-feira (3), a senadora Teresa Leitão (PT-PE) abordou a necessidade de dedicar o mês de março a intensificar as políticas públicas que combatem a violência contra a mulher. Segundo a senadora, é crucial que ações voltadas para a prevenção, proteção e responsabilização sejam ampliadas, especialmente diante do aumento alarmante nos casos de feminicídio no Brasil.
Referindo-se a dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a parlamentar destacou o recorde de feminicídios registrados em 2024, alertando que a violência afeta, em grande parte, mulheres negras e jovens, que frequentemente são mortas por parceiros ou ex-parceiros.
— As estatísticas recentes são, no mínimo, preocupantes. O Brasil viu um total de 1.492 feminicídios em 2024, o número mais alto desde que o crime foi tipificado em 2015. Além disso, as tentativas de feminicídio cresceram 19% em comparação a 2023, somando 3.870 casos. Dentre as vítimas, 64% eram mulheres negras e 30% tinham entre 25 e 34 anos. A casa, que deveria ser um espaço seguro, se torna um ambiente de perigo, com entre 64% e 69% dos crimes ocorrendo dentro do lar. Esses dados não podem ser naturalizados. Aqui, não falamos apenas de números; são vidas que foram interrompidas, famílias que foram destruídas, filhos e filhas que ficaram órfãos, comunidades que vivem sob o medo constante — enfatizou Teresa.
A senadora também pediu uma ação integrada entre os três Poderes do governo e a rápida implementação de medidas protetivas, além da necessidade de ampliar a rede de proteção para as vítimas de violência. Ela sublinhou a importância de investir em educação voltada para a igualdade de gênero, geração de renda e autonomia econômica das mulheres.
— O ciclo de impunidade fortalece e perpetua a violência. Uma resposta rápida, articulada e firme de um Estado vigilante pode salvar vidas. Precisamos investir na educação para a igualdade de gênero e na luta contra a violência. Uma educação que não seja sexista prepara meninos para se tornarem homens respeitosos, abordando a questão das masculinidades violentas, promovendo a autonomia econômica e expandindo as políticas de cuidado. É essencial desenvolver políticas que garantam emprego e renda, capacitação profissional, acesso ao crédito e inclusão produtiva — concluiu a senadora.

