Diversificação de Culturas para Sustentabilidade Agrícola
Na 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, o segundo dia de programação técnica da Embrapa trouxe à tona o painel intitulado “Diversificação de Culturas: Inverno e Verão”. O evento destacou a importância de cultivos alternativos, como cereais e oleaginosas, além de discutir a descarbonização da soja como referência para o cultivo do arroz. Ao abordar esses temas, a Embrapa reforçou a relevância de práticas agrícolas que promovem a sustentabilidade e a mitigação dos impactos ambientais.
A primeira palestra do dia apresentou uma variedade de materiais do portfólio de cereais e oleaginosas desenvolvidos pela pesquisa agropecuária, especialmente voltados para cultivos de inverno. O pesquisador Giovani Faé, da Embrapa Trigo, em Passo Fundo/RS, destacou que a introdução de trigo e triticale em áreas de soja em terras baixas demonstrou uma notável capacidade de resiliência, especialmente em culturas que enfrentam dificuldades de drenagem, como a soja. Faé compartilhou exemplos de propriedades em Eldorado do Sul e Capivari do Sul, onde a produção alcançou cerca de 96 sacas por hectare.
O pesquisador André Andrés, durante a palestra “Cereais em Terras Baixas”, abordou os desafios enfrentados na implantação de cultivos durante o inverno. Ele enfatizou como a pesquisa tem avançado na seleção de cultivares de trigo da linha amplium, que superaram a marca de seis mil quilos em terras baixas, especialmente na região de Pelotas. Com o apoio da Embrapa Trigo, Andrés explicou que os experimentos em mais de cinco hectares, iniciados em 2021, têm demonstrado a capacidade de antecipar a semeadura para maio, possibilitando a colheita em outubro. Essa metodologia também abre espaço para a rotação com a cultura do arroz, embora os estudos atuais sugiram que a soja é uma opção mais adequada devido ao seu ciclo produtivo.
Ao implantar o trigo após a colheita da soja, o agricultor consegue otimizar tempo e recursos. “Ele pode colher a soja hoje e plantar o trigo amanhã”, ressaltou o especialista, enfatizando que essa prática garante não apenas uma melhor eficiência na utilização do solo, mas também assegura a produção de ração de qualidade para a pecuária local.
Inovações no Cultivo da Carinata
Na sequência, o painel abordou o cultivo da carinata, com a palestra de Phillip Herbst Minarelli, da Nufarm Brasil. Minarelli discutiu os desafios futuros da sustentabilidade e apresentou um panorama global do uso do Combustível Sustentável de Aviação (SAF). Ele também explicou o ProBioQAV (Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação) e ressaltou a importância das políticas públicas de descarbonização, que têm impactos diretos no cultivo da carinata.
A carinata se destacou como uma cultura promissora para rotação, devido à sua resistência ao calor, à seca e até mesmo às geadas. Além disso, a planta é capaz de produzir uma quantidade significativa de palhada, contribuindo para a redução de nematoides no solo. Minarelli também fez uma comparação entre a carinata e a canola, esclarecendo que, embora ambas sejam oleaginosas da mesma família, possuem finalidades distintas: a canola é destinada à produção de óleo alimentar, enquanto a carinata é voltada à produção de combustíveis sustentáveis.
Valorizações Sustentáveis na Soja
Ainda pela manhã, a pesquisadora Roberta Monteiro, da Embrapa Soja, apresentou o Programa Soja Baixo Carbono. Essa iniciativa visa agregar valor à soja cultivada de forma sustentável, por meio de práticas que visam a redução da emissão de gases de efeito estufa. Monteiro destacou que o programa certifica a soja brasileira que é produzida com técnicas que minimizam as emissões ao longo do processo, reforçando a importância da agricultura sustentável para a preservação ambiental.
Durante sua apresentação, Roberta ressaltou a participação das práticas agropecuárias nas emissões globais de gases de efeito estufa, enfatizando que a contribuição deste setor ainda é relativamente pequena. Além disso, a discussão abriu espaço para explorar como iniciativas de descarbonização podem ser aplicadas também na cultura do arroz, ampliando as possibilidades de sustentabilidade nesse cultivo fundamental.

