A Ascensão de Michelle Bolsonaro na Política do DF
A recente queda do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em meio ao escândalo do caso Master, trouxe à tona um novo cenário político: Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e atual filiada ao PL, se tornou a principal articuladora da direita na região. Sua ascensão é notável, uma vez que antes contava-se com a força do governador, reeleito em 2022 no primeiro turno, para galvanizar o apoio político. Agora, a condução da estratégia eleitoral parece ter mudado de mãos, com Michelle assumindo um papel central nas disputas políticas locais.
Como parte desse novo movimento, a ex-primeira-dama e a deputada federal Bia Kicis são candidatas à chapa puro-sangue do PL no Senado. Essa mudança não apenas reflete a nova dinâmica política, mas também acentua a relevância de Michelle no tabuleiro eleitoral do DF. O apoio dela poderá ser decisivo para os candidatos da legenda nas próximas eleições.
Reação do PL e os Desafios de Ibaneis
Após a divulgação da matéria, o político Arruda se pronunciou, mencionando que mudanças na Lei da Ficha Limpa, previstas para 2025, não deixariam espaço para dúvidas sobre a inelegibilidade que poderia afetar Ibaneis. O comunicado enviado ressalta que ele acredita que o prazo de inelegibilidade terminará antes das eleições deste ano.
Apesar de um certo desconforto entre os membros do PL, tanto na Câmara quanto no Senado, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, adotou uma postura de distanciamento. Segundo alguns parlamentares, ele se mostrou relutante em contrariar Michelle, que agora carrega a responsabilidade de conduzir o partido no DF. Mesmo assim, Costa Neto liberou os congressistas para apoiar outros candidatos, sendo Arruda o principal nome no PL local, a não ser que Michelle decida apoiar Celina Leão.
O deputado Alberto Fraga (PL-DF) comentou sobre sua posição, afirmando que, embora se declare um liberal e permaneça no PL, está livre para apoiar Arruda como ‘meu candidato’. Essa declaração revela as divisões internas e a busca por alianças que podem influenciar a definição do candidato apoiado pelo partido.
O Futuro de Ibaneis e a Reação de Michelle
Antes da revelação da implicação de Ibaneis no escândalo do Banco Master, ele era visto como um forte concorrente à vaga no Senado para as eleições de 2026, tendo conquistado quase 70% dos votos em 2018 e reeleito com 50,3% dos votos válidos em 2022. Contudo, seu cenário agora é bem mais complicado.
Nos bastidores, amigos de Michelle comentam que ela observa com certa diversão a derrocada de Ibaneis. A ex-primeira-dama, que já demonstrava interesse no desenrolar da situação, acompanhou com atenção as movimentações e até riu da disputa entre deputados distritais e o emedebista, especialmente após o pedido de abertura de CPI do Master na Câmara Legislativa do DF.
Recentemente, a votação que visava socorrer o BRB foi aprovada por 14 votos a 10, e, na esteira disso, Ibaneis tomou a decisão de demitir funcionários de seu governo que foram indicados por deputados que se opuseram à proposta. Essa ação mostra a tensão crescente em sua gestão e a crescente pressão para que ele se mantenha no controle da situação.
Implicações Legais e a Inelegibilidade de Ibaneis
O Ministério Público também se manifestou, reconhecendo a conexão entre as ações em questão e solicitando a prevenção da 2ª Vara da Fazenda Pública para julgá-las. De acordo com a análise, dado que a primeira decisão condenatória ocorreu em julho de 2014, o prazo de inelegibilidade de 8 anos se encerraria em julho de 2022. Isso implica que, sob a nova legislação, não haveria impedimentos para a participação de Ibaneis nas eleições de 2026.
Mesmo que uma leitura mais restritiva não reconheça a conexão, a nova Lei Complementar nº 219/2025 estabeleceu um limite máximo de 12 anos para inelegibilidades, o que também encerraria o prazo antes da eleição de outubro de 2026. Portanto, qualquer interpretação da lei sugere que Ibaneis estaria elegível para concorrer.
Assim, as incertezas continuam a cercar o futuro político de Ibaneis Rocha enquanto Michelle Bolsonaro se firma como a nova protagonista da direita no Distrito Federal.

