Apoio ao Presidente em Tempos Difíceis
A defesa do governo Lula em meio a investigações do INSS ganha força entre aliados próximos. “O presidente Lula deixa a Polícia Federal investigar”, afirmou uma fonte ligada a Lulinha em entrevista ao g1. Esse posicionamento se tornou um mantra entre os políticos da base governista, que buscam diferenciar Lula de seu antecessor Jair Bolsonaro (PL), especialmente em tempos conturbados.
Quando questionado sobre as suspeitas que pairam sobre Lulinha, um deputado do PT argumentou que o governo anterior se dedicava a trocar delegados da Polícia Federal para proteger a família Bolsonaro. Essa crítica a Bolsonaro se intensificou após a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha, algo que aumentou a pressão tanto sobre o governo quanto sobre o filho do presidente.
O advogado de Lulinha, Guilherme Suguimori Santos, emitiu uma nota enfatizando que, em resposta à “incessante campanha midiática que reproduz dados parciais e sigilosos” sobre as fraudes no INSS, ele solicitou acesso ao inquérito em andamento. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga o INSS decidiu quebrar os sigilos de Lulinha durante uma sessão tumultuada, um ato que gerou descontentamento entre os governistas. Essa medida chegou a ser autorizada pelo ministro Mendonça em janeiro, em decorrência de um pedido da PF.
As Suspeitas Envolvendo Lulinha
As investigações contra Lulinha estão conectadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, um dos principais lobistas envolvidos no desvio de aposentadorias e pensões, e à empresária Roberta Luchsinger, de São Paulo. A Polícia Federal identificou cinco pagamentos de R$ 300 mil provenientes de uma empresa do Careca para a empresa de Roberta, totalizando R$ 1,5 milhão. A suspeita é que esses valores tenham sido desviados de aposentadorias.
Em trocas de mensagens via WhatsApp, o Careca parece confirmar um dos pagamentos de R$ 300 mil a Roberta, mencionando que o dinheiro era “para o filho do rapaz”, sem especificar a quem se referia. Um ex-funcionário do Careca, que depôs à PF, alegou que o lobista frequentemente afirmava que pagava uma mesada de R$ 300 mil para Lulinha, com o intuito de que o filho do presidente ajudasse a empresa World Cannabis a comercializar produtos de canabidiol junto ao Ministério da Saúde.
O depoimento deste testemunha levantou a possibilidade de que os pagamentos à Roberta fossem, na verdade, destinados a Lulinha. Além disso, em outra parte da investigação, Roberta mencionou em mensagens que um envelope com o nome do “nosso amigo” foi encontrado durante uma busca e apreensão, referindo-se a uma operação anterior da PF. O lobista Careca reagiu com um “putz” e Roberta pediu que ele “some com esses telefones”.
Amizades e Defesas
Um interlocutor próximo a Lulinha declarou que considera “improvável” que Careca tenha afirmado pagar mesada ao filho do presidente. Um amigo de Lulinha, em conversa particular, revelou que ele nunca negou sua amizade com Roberta Luchsinger, que é uma das melhores amigas de Renata, esposa de Lulinha. Além de Roberta, Lulinha também é amigo de Gustavo Gaspar, outro investigado no esquema de desvios no INSS. A PF encontrou mensagens que indicam pagamento em dinheiro vivo de R$ 40 mil do Careca para Gaspar, além de uma anotação de R$ 100 mil para “Gasparzinho”, possivelmente referindo-se ao sobrenome dele.
Tanto o advogado de Lulinha quanto seus apoiadores negam qualquer envolvimento dele em transações financeiras com Careca que pudessem sugerir um lobby no Ministério da Saúde ou na Anvisa, seja de forma direta ou através de Roberta. Marco Aurélio Carvalho, defensor de Lulinha, mencionou que ele já foi alvo de fake news no passado, que falsamente o associavam à propriedade de bens luxuosos, como uma fazenda e um frigorífico.
Por sua vez, o advogado Bruno Salles, que representa Roberta, confirmou os pagamentos recebidos por ela do Careca, mas alegou que eram legítimos e não tinham relação com Lulinha. Salles questionou a lógica da acusação, que sugere que Roberta teria recebido valores para repassar, mas também menciona que ela realmente prestou serviços relacionados a relações institucionais ao Ministério da Saúde. Sobre as mensagens que mencionam o envelope encontrado com o nome de “Fábio”, Salles afirmou que já esclareceu os fatos ao STF, argumentando que as mensagens estão fora de contexto e pertencem a um diálogo mais extenso que permanece em sigilo.

