Repercussões das Derrotas no Senado
A recente semana foi marcada por reveses significativos para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Senado, destacando a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada do veto ao Projeto de Lei da Dosimetria. Esses eventos evidenciam que as pautas do governo, especialmente aquelas de interesse do Palácio do Planalto, ainda enfrentam obstáculos consideráveis.
Chico Lucas, secretário nacional de segurança pública, comentou sobre os esforços do governo para promover a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), a qual visa obrigar estados a adotarem diretrizes nacionais para o uso da força policial, além de outras prioridades federais. Ele ressaltou que o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) facilitará o compartilhamento de informações entre órgãos estaduais e federais.
“A partir do momento em que o Susp for constitucionalizado, a adoção de políticas nacionais de segurança deixará de ser opcional e se tornará uma obrigação”, declarou Lucas em entrevista. Ele também abordou as estratégias do governo federal para reduzir a violência policial e garantir a responsabilização dos agentes. Para ele, assegurar o cumprimento das leis não significa agir com fraqueza frente ao crime, mas sim garantir que as ações policias não sejam violentas contra cidadãos inocentes.
Consequências para os Estados e Policiais
Lucas alertou que os governos estaduais que não se adaptarem à nova política poderão enfrentar penalidades, incluindo a perda de recursos. Para os policiais condenados, as penas se alinharão às já previstas na legislação, porém, com uma possível maior atuação do governo federal nas investigações e na responsabilização.
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Atualmente, são poucos os casos de violência policial que chegam à esfera federal. A legislação permite a federalização apenas em situações de graves violações de direitos humanos ou quando as instituições estaduais não têm condições de atuar adequadamente, ou ainda quando há risco de represálias internacionais ao Brasil.
O texto da PEC estabelece como um dever a cooperação de todos os entes federativos nos procedimentos de fiscalização e prevenção no âmbito da segurança pública, além de facilitar a troca de informações relevantes entre diferentes níveis de governo.
Ações Práticas e Resultados
Lucas, que assumiu a Secretaria Nacional de Segurança Pública em janeiro, após mudanças no Ministério da Justiça, também destacou a queda nos índices de homicídios dolosos e latrocínios no país. Dados do ministério indicam que de janeiro a março deste ano, houve 7.289 assassinatos, refletindo uma redução de cerca de 13% em comparação ao mesmo período de 2022.
A taxa de homicídios, que ficou em 14,75 por 100 mil habitantes no ano passado, demonstra uma tendência de queda contínua nos últimos cinco anos. Especialistas atribuem esse resultado à diminuição das disputas entre facções criminosas e ao investimento em investigações mais eficazes.
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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), qualquer taxa acima de 10 homicídios por 100 mil habitantes é considerada epidêmica.
A Articulação de João Campos em Tempos de Crise
Em meio a essa situação, o ex-prefeito e pré-candidato a governador de Pernambuco, João Campos, articulou uma videoconferência com o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, e prefeitos da Região Metropolitana e da Zona da Mata que foram duramente atingidos pelas chuvas.
Durante a reunião, Campos se comprometeu a solicitar ao presidente Lula a liberação de recursos para obras de prevenção contra os impactos das mudanças climáticas, que são essenciais e dependem de investimentos do Novo PAC. Ele enfatizou a importância dessa articulação, que visa não apenas o suporte emergencial, mas também a obtenção de recursos para projetos estruturantes em longo prazo.
“Tive a oportunidade de conversar com o presidente Lula e o ministro Waldez Góes, explicando a situação crítica da Região Metropolitana e da Mata Norte. Vamos consolidar os pedidos dos municípios para levar ao presidente e solicitar ações efetivas”, afirmou Campos, destacando a sensibilidade do governo em atender às demandas locais.
Repercussões no Cenário Político
A atuação de Campos, segundo relatos, foi vista como uma ação acertada em um momento em que a governadora Raquel Lyra não conseguiu se articular de maneira ampla. Aliados da governadora reconhecem, em privado, que a proatividade de Campos altera a dinâmica política da crise, especialmente com a pressão exercida pelos prefeitos por respostas rápidas.
Enquanto Campos agiu diretamente nas áreas afetadas pelas chuvas, Raquel Lyra optou por uma abordagem mais distante, optando por comunicações telefônicas. Oficialmente, o discurso de união institucional ainda é mantido, mas a prática revela uma discrepância na gestão da crise.
As cidades atingidas pelas chuvas continuam a pleitear ajuda, e Campos já se reuniu com os prefeitos afetados, ouvindo suas demandas e apresentando soluções. Por outro lado, a governadora ainda não anunciou novas ações para mitigar os efeitos das chuvas nas comunidades atingidas.

