Paes Defende Mudanças em Processo Eleitoral
No cenário político atual do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), ex-prefeito da cidade e agora pré-candidato ao governo do estado, tem se posicionado de forma contundente em defesa da realização de eleições diretas para o mandato-tampão. Em uma mensagem encaminhada a seus aliados e divulgada em suas redes sociais, ele argumentou que a escolha de um sucessor temporário para o ex-governador Cláudio Castro (PL) pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) representa uma manobra política destinada a garantir a permanência de um grupo no poder.
A renúncia de Castro, ocorrida na última segunda-feira (23), foi um ato que antecedeu sua condenação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por abuso de poder econômico e político durante as eleições de 2022, onde ele foi reeleito em primeiro turno. Caso ele tivesse permanecido no cargo, teria enfrentado a cassação pela Justiça Eleitoral, que, segundo a legislação, exigiria a convocação de eleições diretas no estado.
Juristas e membros do PSD avaliam que a renúncia de Castro foi uma tentativa deliberada de evitar as consequências legais de sua condenação. Apesar da pressão partidária por um pleito direto, o TSE anunciou, na noite de quarta-feira (25), que a escolha do governo-tampão ocorrerá na Alerj, seguindo o que a Constituição do Rio determina em situações de vacância nos dois últimos anos de mandato.
“Diretas já! A população deveria ter o direito de escolher. A interpretação do TSE, respaldada por vários especialistas, é que a Justiça Eleitoral deveria convocar eleições diretas. Como podemos decidir com imparcialidade em um colegiado onde a maioria foi eleita em um esquema agora desvendado e que foi cassado pelo próprio TSE?”, questionou Paes na mensagem enviada a seus aliados.
Em meio a esse cenário conturbado, Paes anunciou que está disposto a ser candidato caso a Justiça mude seu entendimento e convoque eleições diretas. “Colocarei meu nome à disposição como candidato, seja para as diretas ou para as eleições de outubro. Entretanto, é primordial que a Justiça, que foi lenta no caso Ceperj, preste a devida atenção ao que está ocorrendo no Rio”, afirmou, referindo-se ao caso que levou à condenação de Castro por contratações irregulares de cabos eleitorais nas instituições de ensino durante a campanha de 2022.
Controvérsias no STF Sobre o Processo Eleitoral
Paes não poupou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu levar ao plenário virtual o julgamento de outra ação do PSD relacionada ao pleito para o mandato-tampão. O partido questionou, por meio de uma ação, as regras que regem a eleição indireta. O ministro Luiz Fux, relator da ação, atendeu aos pedidos do grupo, mas há rumores de que o STF pode reverter as decisões de Fux, mantendo as regras originais estabelecidas pela Alerj.
“É alarmante que o plenário do STF esteja deliberando de maneira virtual se as regras para a eleição indireta, que foram previamente aprovadas, devem ser mantidas ou se devem ser revertidas em favor da decisão do ministro Fux, que requer um prazo de seis meses para a desincompatibilização de candidaturas. Revogar a decisão de Fux pode, quase com certeza, resultar na eleição de um candidato que representa a continuidade do governo recém-cassado. Como podemos ter eleições limpas no Rio em outubro com esse cenário?”, indagou Paes, ressaltando as implicações de tal decisão para a integridade do processo eleitoral no estado.

