Conflitos Internos na Direita de SC
A política em Santa Catarina, dominada pela direita, enfrenta um cenário de divisões a menos de um ano das eleições estaduais. A situação se complicou com a pré-candidatura ao Senado de Carlos Bolsonaro (PL), levando o PT a perceber uma janela de oportunidade para conquistar uma vaga no Senado ou avançar no governo estadual. Os petistas acreditam que ter um candidato no segundo turno pode funcionar como um palanque importante para a campanha presidencial.
O racha começou após o anúncio de Jair Bolsonaro, ex-presidente, em lançar a candidatura de seu filho. A deputada Ana Campagnolo (PL-SC) usou suas redes sociais para afirmar que o partido já havia formado um apoio em torno do governador Jorginho Mello (PL-SC), que estaria alinhado com as candidaturas da deputada Carol de Toni (PL-SC) e do senador Esperidião Amin (PP-SC).
Motivações de Jorginho Mello
O cientista político e professor da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Daniel Pinheiro, analisou a hesitação de Jorginho em apoiar a chapa vinculada a Bolsonaro. “Como governador, ele deve se concentrar em garantir sua reeleição e fortalecer alianças partidárias. Apoiar a candidatura de Amin é vantajoso, pois aproxima o governo do PP, que é essencial para formar uma coalizão forte em 2026”, afirma.
Apesar de ter cedido sua vaga no partido, Carol de Toni não pretende desistir de sua candidatura e afirmou à Coluna do Estadão que está disposta a concorrer por outra legenda, se necessário.
Abertura para o PT
A fragmentação na direita apresenta uma oportunidade estratégica para o PT, que busca identificar as melhores condições para unir forças. “Em 2022, a direita estava coesa, agora estão desunidos. O povo não se interessa por disputas internas deles”, declarou o pré-candidato Décio Lima (PT-SC) em entrevista ao Estadão.
Se conseguir uma candidatura ao Senado, o PT poderá eleger seu primeiro senador desde 2002, quando Ideli Salvatti ocupou o cargo. Além disso, uma disputa pelo governo com Décio Lima, que já passou para o segundo turno em 2022, poderia aumentar a visibilidade do partido e beneficiar a imagem do presidente Lula nas eleições presidenciais.
“Nossa prioridade é a reeleição do presidente Lula, isso será crucial. Se o partido determinar que eu sou a melhor opção para o governo, estarei pronto para essa tarefa”, afirmou Décio Lima.
Possibilidades e Desafios
Daniel Pinheiro observa que, apesar das dificuldades, existe a possibilidade de o PT tirar proveito do racha na direita. “Vejo Décio como uma opção competitiva para o Senado, mas levá-lo ao segundo turno, como em 2022, poderia aumentar a presença do PT no debate público”, comentou.
Ao analisar as últimas quatro eleições federais, verifica-se que Santa Catarina elegeu 54 deputados federais da direita ou centro-direita, o que representa 78,3% do total durante esse período, que foi de 69 representantes.
Ademais, o Estado não elegeu nenhum governador de esquerda desde o início das eleições diretas em 1947, o que torna o contexto atual ainda mais desafiador para as candidaturas progressistas.
Cenário de Intenções de Voto
No dia 4 de dezembro, o instituto Real Time Big Data divulgou uma pesquisa que aponta um cenário competitivo caso a direita concorra com três candidatos. Carlos Bolsonaro surge com 21% das intenções, enquanto Carol de Toni acumula 18%. Em empate técnico, Esperidião Amin e Décio Lima aparecem com 14% cada um.
Em um cenário sem a participação de Carol, Carlos lidera com 27%, seguido por Amin com 21% e Décio com 14%. Já em uma situação onde Amin não concorre, Carlos aparece com 25%, tecnicamente empatado com Carol, que alcança 22%, enquanto Décio Lima soma 15%.
A pesquisa envolveu 1.200 eleitores de Santa Catarina entre os dias 2 e 3 de dezembro, com uma margem de erro de três pontos percentuais e um nível de confiança de 95%.

