Um Cenário Eleitoral Competitivo
Com as eleições de 2026 se aproximando, o cenário político de Pernambuco se intensifica, especialmente entre João Campos e Raquel Lyra. De acordo com uma pesquisa realizada pela Genial/Quaest em agosto de 2025, Campos lidera com 55% das intenções de voto, o que, em uma análise superficial, poderia garantir sua vitória no primeiro turno. Raquel, por sua vez, aparece em segundo lugar com 24%. Em um levantamento mais recente do Instituto Paraná Pesquisas, realizado no final de dezembro, Campos apresenta 53,1% e Raquel 31%. É importante notar, no entanto, que Campos viu uma queda de 3,9 pontos percentuais desde agosto, enquanto a governadora teve um crescimento expressivo de 7 pontos.
Esse quadro, segundo o cientista político Thales Castro, indica que não há nada garantido para nenhum dos candidatos. Ele observa que, apesar da competitividade de Campos, a estrutura política do estado possui mecanismos que podem favorecer a recuperação da governadora. A mudança de Raquel do PSDB para o PSD, partido liderado nacionalmente por Gilberto Kassab, é considerada uma vantagem para sua campanha de reeleição. “Para se destacar como governadora, é fundamental que ela demonstre habilidade em articulação política, o que pode trazer benefícios significativos para sua candidatura”, enfatiza.
Raquel, além disso, tem potencializado sua base de apoio ao estabelecer alianças com prefeituras essenciais da região, especialmente no Agreste Meridional e Central, fazendo uso de sua experiência como ex-prefeita de Caruaru.
Os Pontos Fortes de Cada Candidato
No que diz respeito a João Campos, o prefeito do Recife tem a seu favor um histórico familiar rico em política, oriundo da família Arraes. Segundo Castro, Campos não apenas carrega um carisma natural, mas também uma conexão profunda com a política pernambucana que remonta a figuras como o doutor Miguel Arraes e Eduardo Campos, falecido em 2014. “Esse legado familiar, aliado a uma forte presença nas mídias sociais, contribui para fortalecer sua imagem diante do eleitorado”, acrescenta.
No entanto, os desafios estão à espreita para ambos os candidatos. Um dos maiores obstáculos na administração de Raquel Lyra diz respeito às promessas não cumpridas, especialmente na Região Metropolitana do Recife (RMR). Castro destaca que enquanto Campos detém uma presença marcante na capital, o governo estadual tem enfrentado críticas em relação ao andamento de obras essenciais. “As falhas nas entregas, como a Escola de Gastronomia e o Liceu de Artes e Ofícios, estão se tornando um ponto de vulnerabilidade para Raquel”, explica.
Além disso, ele menciona que a triplicação da BR-232, uma das principais iniciativas de Raquel, foi um projeto que se originou durante a administração de Paulo Câmara, o que levanta questionamentos sobre a capacidade atual da governadora em realizar entregas concretas.
Desafios e Estratégias para 2026
Com o ano eleitoral se aproximando, cada candidato deve se preparar para enfrentar seus desafios específicos. Thales ressalta que João Campos, embora usufrua de alianças com municípios chave, precisa lidar com uma diminuição de força narrativa nas mídias digitais. Uma pesquisa realizada em maio passado revelou que sua base de seguidores, embora robusta, caiu 1,6%. Em contrapartida, Raquel Lyra teve um crescimento de 3,5%, alcançando 1,118 milhão de seguidores. Ambos os candidatos, segundo as análises, disputam a atenção de um eleitorado jovem, especialmente mulheres na faixa etária de 25 a 34 anos.
Um Palanque Duplo para o Presidente
Thales Castro aponta ainda que Raquel Lyra pode se ver em uma posição delicada, pois o presidente Lula (PT) pode optar por um palanque duplo, optando por apoiar ambos os candidatos. O presidente já adotou essa estratégia em 2006, apoiando Jarbas Vasconcelos e Eduardo Campos. Castro acredita que, mesmo com a crescente dependência dos estados e municípios em relação ao governo federal, a governadora precisa encontrar uma forma de capitalizar os avanços conseguidos pelo governo Lula para suavizar seu isolamento político.
Por outro lado, João Campos tem conseguido estreitar laços com o governo federal de forma mais eficaz. “A hipertrofia do Governo Federal na alocação de recursos coloca Raquel em um cenário desvantajoso, já que o apoio de Lula tende a ser mais forte para o PSB”, conclui Castro.

