Análise das Destinações de Recursos em Pernambuco
Com o início de 2026, é oportuno refletir sobre a utilização das emendas de bancada, um mecanismo que historicamente reuniu recursos significativos para iniciativas de grande porte. No entanto, nos últimos anos, observou-se uma mudança de rumo nas destinações dessas emendas em Pernambuco, que vêm se concentrando em ações de menor impacto, minando sua relevância para a administração pública do estado.
Até o governo de Jarbas Vasconcelos, as emendas de bancada eram fundamentais. O governador costumava se reunir anualmente com a bancada federal, composta por deputados e senadores, para solicitar um aumento nas verbas. Essa estratégia resultou na realização de obras significativas, como a duplicação da PE-60 e melhorias no Porto de Suape, possibilitando a alocação de recursos federais em um único projeto.
Distribuição das Emendas a Partir de 2021
No entanto, a partir de 2021, com a introdução do orçamento secreto, a distribuição de emendas passou a ser cada vez mais pulverizada e, paradoxalmente, os valores destinados a projetos importantes foram reduzidos. Em 2025, o total de emendas de bancada de Pernambuco alcançou R$ 381,38 milhões, mas o ano anterior, 2022, viu o registro mais baixo até aquele momento, com apenas R$ 173,49 milhões alocados. Em 2026, a bancada pernambucana destinou R$ 415,75 milhões.
O que chama atenção é a utilização desses recursos, pois a destinação para importantes projetos estratégicos ficou aquém do esperado. Por exemplo, a requalificação do Hospital da Restauração recebeu apenas R$ 9,92 milhões, enquanto a Reforma e Reaparelhamento do Aeroporto de Caruaru teve apenas R$ 7 milhões, valor considerado baixo para iniciativas desse porte.
Comparativo com Outras Regiões do Nordeste
Em contraste, quando se analisa o que foi destinado a projetos como a Reforma e Requalificação do Teatro da UFPE (R$ 4,35 milhões) e a implantação da Nova Escola de Formação de Graduação de Sargentos do Exército (R$ 5,25 milhões), percebe-se que os valores são insuficientes, especialmente se comparados ao que será investido na construção do Hospital Regional de Belo Jardim, que receberá R$ 7 milhões.
Diante deste cenário, é importante observar que, mesmo com orçamento próprio, a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) receberá R$ 55,45 milhões, enquanto o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) terá R$ 13,26 milhões.
A Destinação de Recursos em Saúde
Um ponto relevante a ser destacado é que a maior parte das emendas de bancada de Pernambuco está voltada para o custeio de serviços de saúde, com R$ 170 milhões destinados ao Incremento ao Custeio dos Serviços de Atenção Primária à Saúde e R$ 120,62 milhões para a assistência hospitalar e ambulatorial. Dessa forma, cerca de R$ 290 milhões estão sendo direcionados para o custeio, enquanto os demais projetos estratégicos somam apenas R$ 49,63 milhões.
Embora o investimento em saúde seja essencial, faz-se necessário questionar o papel das emendas de bancada, que deveriam servir para fomentar grandes projetos e não apenas atender demandas pontuais. Comparando com estados como Ceará e Bahia, que destinaram valores robustos – R$ 1,315 bilhões e R$ 1,075 bilhões, respectivamente – para projetos prioritários, fica evidente que Pernambuco está ficando para trás.
Reflexões sobre a Aplicação das Emendas
Os recursos das emendas de bancada são um reflexo do que se prioriza dentro da política local. Infelizmente, a ausência de verbas significativas para ações de prevenção e enfrentamento à criminalidade, que receberam atenção especial em outros estados nordestinos, é um indicativo da falta de estratégia coordenada na aplicação deste orçamento.
Um fator que pode explicar essa situação é o surgimento do orçamento secreto, que aumentou a autonomia dos deputados e senadores para destinar verbas às suas bases eleitorais. Em 2026, cada parlamentar receberá uma quantia considerável para alocação, o que pode desviar ainda mais o foco das emendas de bancada para iniciativas menos abrangentes.
A Importância do Diálogo entre Governadores e Parlamentares
A falta de articulação entre os governadores e a bancada federal pernambucana pode estar contribuindo para essa ineficiência na alocação de recursos. Em estados como Bahia e Ceará, a gestão das emendas envolve discussões diretas entre governadores e parlamentares, o que ajuda a garantir que os recursos sejam aplicados em projetos de relevância social e econômica para a população.
Por fim, o caso da Nova Escola de Formação de Graduação de Sargentos do Exército, que demanda um investimento de mais de R$ 1 bilhão até 2030, ilustra a necessidade urgente de articulação e planejamento para que Pernambuco não perca oportunidades de desenvolvimento. A carência de verbas para segurança e turismo, áreas prioritárias em outros estados, também merece atenção para que o estado retome seu papel de liderança nas questões de emendas de bancada no Nordeste.

