Deputada Gorete Pereira sob Investigação da Polícia Federal
A deputada federal Gorete Pereira, do MDB do Ceará, é um dos principais alvos da Operação Indébito da Polícia Federal, que é uma continuidade da Operação Sem Desconto. Esta investigação foca em cobranças indevidas associativas relacionadas a aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a parlamentar foi obrigada a usar tornozeleira eletrônica enquanto a investigação avança.
Na fundamentação para as medidas cautelares, Mendonça destaca que há elementos substanciais sugerindo a implicação da deputada em um esquema de desvio de recursos destinados a aposentados e pensionistas do INSS. “A deputada Maria Gorete se destaca nos dados apresentados pela Polícia Federal como uma integrante significativa do grupo criminoso, atuando tanto na articulação política quanto na operação das associações fraudulentas”, afirmou o magistrado.
Apesar das evidências, o pedido da PF para a detenção preventiva de Gorete Pereira foi negado. O ministro enfatizou sua cautela ao tratar de prisões de parlamentares, considerando que tal medida poderia impactar severamente o exercício do mandato. “Embora a prisão de um parlamentar seja possível, esta é uma decisão que deve ser tomada com a máxima responsabilidade e apenas em situações excepcionais”, acrescentou Mendonça.
Indícios de Enriquecimento Ilícito
Conforme apurações, a deputada teria adquirido um apartamento avaliado em mais de R$ 4 milhões através de uma empresa de fachada, além de um carro de luxo cujo valor passa de R$ 400 mil. Os investigadores apontam que esses bens teriam origem em recursos desviados de beneficiários do sistema previdenciário.
Além disso, a decisão do ministro menciona a apreensão de planilhas que conectam o nome da parlamentar a valores elevados, supostamente destinados ao pagamento de propinas. Mendonça destaca que os indícios reforçam a possibilidade de participação direta de Gorete Pereira em irregularidades envolvendo descontos indevidos.
Relações com Servidores do INSS
Outro aspecto relevante da investigação é a relação da deputada com servidores do INSS, especialmente com Alessandro Stefanutto, ex-presidente do instituto durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva. Stefanutto foi preso em novembro de 2025 durante a Operação Sem Desconto. Segundo a decisão, Gorete mantinha contatos frequentes com o ex-gestor para facilitar o credenciamento de entidades sob sua influência.
A defesa de Stefanutto, por sua vez, refutou as acusações que o associam a irregularidades, alegando que o contato com Gorete Pereira partiu dela. “Stefanutto sempre esteve aberto ao diálogo com parlamentares e instituições, como parte de sua rotina administrativa”, enfatizou a defesa.
Além das menções à deputada, Mendonça também apontou que foram encontrados indícios robustos de depósitos em contas ligadas a Gorete, oriundos de empresas que ela e sua família controlam. Estas empresas, segundo a investigação, atuariam como intermediárias na movimentação de recursos desviados.
Desdobramentos da Operação Indébito
No âmbito das operações, Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente de entidades de aposentados, também foi alvo de busca e apreensão. Ela depôs na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS em novembro de 2025, e contra ela foram emitidos mandados de prisão.
Até o momento, foram executados 19 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão, além de outras medidas cautelares, tanto no Ceará quanto no Distrito Federal. Os investigadores suspeitam que o grupo envolvido inseriu dados falsos em sistemas oficiais para permitir descontos indevidos nos benefícios previdenciários. Esta ação foi realizada em colaboração com a Controladoria-Geral da União (CGU), e está sendo investigada como uma possível organização criminosa, estelionato previdenciário e estratégias de ocultação de patrimônio.
Em nota, Gorete Pereira defendeu sua inocência, afirmando que não cometeu qualquer ato ilícito, e alegou que as informações divulgadas não correspondem à realidade dos fatos. Sua defesa promete se manifestar assim que tiver uma análise mais aprofundada do processo.

