Reflexões sobre acúmulos na sociedade contemporânea
No dia 6 de outubro, às 19h, o Centro Cultural da UFMG abre suas portas para a exposição individual intitulada ‘Monturo e outros tantos’, do artista visual e educador Gustavo Torrezan, sob a curadoria de Ana Paula Lopes. A mostra reúne uma vasta gama de obras, incluindo pinturas, desenhos, gravuras, objetos e instalações, e propõe uma profunda investigação sobre as relações sociais na atualidade. Os visitantes poderão apreciar as criações até o dia 12 de abril, com entrada gratuita e classificação livre.
A exposição aborda a temática do acúmulo – seja de poder, de riqueza, de conhecimento, ou mesmo de bens materiais – e como esses processos influenciam nossa percepção e interação com a cultura e a natureza. O objetivo é estimular uma reflexão sobre os modos de produção atuais, que frequentemente levam à exploração e ao esgotamento dos recursos naturais, um fenômeno que caracteriza a sociedade contemporânea.
O conceito de ‘Monturo’ e suas implicações
O termo ‘Monturo’, que dá nome à mostra, refere-se ao acúmulo de diversos elementos, como plantas, animais, ferramentas e máquinas, todos relacionados à produção agrícola. A partir dessa ideia, a exposição questiona: por que acumulamos tanto? Ao invés de resolver problemas, este padrão de acúmulo tem contribuído para crises globais, como as mudanças climáticas, pandemias e desigualdades extremas. “Estamos diante de um paradoxo: apesar de termos acesso a tecnologias avançadas, estamos mais perto de um colapso ambiental e social do que nunca”, destaca o texto de apresentação da exposição.
As obras de Torrezan estabelecem um diálogo com o conceito de Antropoceno, que define uma era em que as ações humanas têm um impacto profundo e duradouro no planeta. A exposição evidencia como o desequilíbrio existente entre a vida humana e os sistemas naturais está intimamente relacionado à lógica de acúmulo e exploração exacerbados.
Uma instalação provocativa
Dentre os destaques da exposição está a obra que leva o mesmo nome, ‘Monturo’, uma instalação que convida o público a refletir sobre as complexas relações de poder, tecnologia e natureza. A obra propõe uma análise crítica acerca dos caminhos que a sociedade vem trilhando e a forma como isso afeta nosso meio ambiente e nossas interações sociais.
Sobre o artista Gustavo Torrezan
Gustavo Torrezan é artista, pesquisador e educador, e atualmente reside entre Belo Horizonte e Piracicaba, no interior de São Paulo, sua cidade natal. Ele é professor no curso de Artes Visuais da UFMG e seu trabalho está presente em notáveis coleções e museus brasileiros, como o MASP, o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), o Museu de Arte do Rio (MAR-RJ) e o Museu de Arte de Brasília (MAB-DF), além de coleções de universidades como a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).
Nos últimos anos, Torrezan participou de exposições variadas, incluindo ‘Histórias das ecologias’ no MASP, ‘As vidas da natureza morta’ no Museu Afro Brasil e ‘Refundação’ no Museu da Inconfidência, além de ter realizado exposições individuais como ‘As coisas que não estão escritas também movem o mundo’ e ‘Exercícios cosmopolíticos’.
Sobre a curadora Ana Paula Lopes
Ana Paula Lopes, natural de São Caetano do Sul, é uma curadora, pesquisadora e educadora com atuação em São Paulo. Possui mestrado em História da Arte pela Unifesp e graduação em Arte: História, Crítica e Curadoria pela PUC-SP. Atualmente, Ana Paula é curadora na Pinacoteca do Estado de São Paulo e docente no curso de Artes Visuais da Faculdade Santa Marcelina.
Sua pesquisa foca na dimensão geopolítica da curadoria, baseada no pensamento de Milton Santos e na história das exposições na América Latina durante as décadas de 1970 e 1980. Com um portfólio que inclui trabalhos em galerias renomadas, como White Cube e Mendes Wood DM, Ana Paula também contribuiu com publicações na Revista Terremoto e curadorias de exposições significativas.

