Uma Reflexão sobre a Natureza Humana e as Ficções que Criamos
Considerada um dos grandes sucessos de público do teatro contemporâneo, a peça “Ficções” retorna a Florianópolis, especificamente no Teatro Ademir Rosa, dentro do Centro Integrado de Cultura (CIC). Com várias indicações a prêmios importantes, destaque para o Prêmio Shell, onde Vera Holtz foi reconhecida como Melhor Atriz em 2023, a montagem promete cativar novamente os espectadores.
Inspirada no best-seller “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, do autor israelense Yuval Harari, a peça aborda a singular habilidade humana de criar e acreditar em ficções, que vão desde deuses a conceitos como dinheiro e nações. A obra levanta questionamentos intrigantes sobre a realidade e as incertezas que nos cercam: após sermos alçados à posição de dominantes do planeta, estamos realmente satisfeitos com nossa condição?
Desde sua publicação em 2014, “Sapiens” vendeu mais de 23 milhões de cópias globalmente. O livro argumenta que a capacidade de inventar histórias e criar ficções é o que diferencia a humanidade das demais espécies. Essas criações permitem a cooperação em massa, moldando a sociedade por meio de conceitos abstratos como nação, leis e religião. Harari desafia o leitor a refletir: mesmo com todo o progresso, seremos mais felizes do que nossos antepassados?
Felipe Heráclito Lima, produtor responsável pela adaptação teatral, destaca que a obra de Harari provoca uma série de reflexões sobre nossa essência como espécie. “É um livro que permite uma centena de reflexões a partir do momento em que nós pensamos como espécie e que, obviamente, dialoga com todo mundo. Acho que esse é o principal mérito da obra dele”, afirma Lima, que adquiriu os direitos de adaptação da obra em 2019.
No palco, Vera Holtz assume uma variedade de papéis, trazendo à vida não apenas os personagens do livro, mas também figuras criadas especificamente por Rodrigo Portella, responsável pela direção e adaptação. A atriz se destaca em momentos de canto, improvisação e interações dinâmicas com a plateia, além de dialogar com Harari e com Federico Puppi, músico que compôs a trilha sonora original. Essa interação torna cada apresentação única, permitindo que o público se envolva ativamente na narrativa.
O espetáculo é um convite à reflexão e à autoanálise, levando os espectadores a ponderarem sobre a construção de suas próprias ficções e a utilidade delas em suas vidas. Afinal, em um mundo repleto de incertezas, as perguntas apresentadas por Harari e exploradas por “Ficções” se tornam cada vez mais pertinentes: estamos utilizando nossa criatividade para moldar um futuro melhor para todos?
Com essa proposta, “Ficções” não se limita a ser uma simples apresentação teatral, mas se transforma em uma experiência transformadora que instiga o público a questionar e explorar as verdades que construímos coletivamente.

