Garagens se Transformam em Picadeiros
A magia do circo invade as garagens de Belo Horizonte (MG) por meio do projeto Garagens Periféricas, que oferece gratuitamente espetáculos de palhaçaria em comunidades em situação de vulnerabilidade social. Com o apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, a edição de 2026, intitulada Pro Povo Ri, tem início neste sábado (7) e promete transformar vagas de garagem em verdadeiros picadeiros, cedidos pelos moradores.
A ideia surgiu em 2013, após o cancelamento inesperado de uma apresentação de rua, o que motivou a criação de uma iniciativa que, ao longo de mais de dez anos, se estabeleceu como uma forte ação de descentralização cultural na cidade. “Veio dessa luta que nós, artistas da palhaçaria, do circo e da rua, temos para ampliar o espaço e fazer o espetáculo acontecer. Na periferia, a garagem é uma alternativa que ressignifica sua função, garantindo o direito da população a apreciar e vivenciar a arte”, compartilhou Cícero Silva, artista e idealizador do projeto, que atua no Ateliê Titetê.
Cícero também destacou a característica de vínculo que o projeto promove entre artistas e espectadores. “Ao retornarmos a um local onde já nos apresentamos, os proprietários se mostram receptivos. Nos últimos anos, os moradores têm visitado outros territórios para assistir aos espetáculos, o que comprova que estamos cumprindo nossa missão de estabelecer conexões”, complementou.
Políticas Culturais e o Futuro do Projeto
A presidenta da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Maria Marighella, enfatizou a importância de iniciativas como a Garagens Periféricas: “Todo espaço pode ser um espaço de arte e cultura, servindo como ponte para ações que fomentam redes e circuitos culturais em todo o país. Uma de nossas prioridades é nacionalizar as políticas públicas e investir em ações continuadas em cada território”, disse. Ela ressaltou que programas estruturantes lançados no último ano dentro da Política Nacional Aldir Blanc buscam estimular a adesão de estados e municípios para o fomento de projetos culturais a longo prazo, garantindo a continuidade de atividades e festivais.”
Em 2026, o Garagens Periféricas programou apresentações em quatro garagens residenciais e três estacionamentos de centros culturais, uma novidade para essa edição. O primeiro espetáculo acontecerá na casa de André da Silva, na rua Luiz Lopes, 111, no bairro Ouro Preto, a partir das 19 horas.
Na sexta-feira (6), um cortejo de divulgação, liderado pelo Ospália Coletivo de Palhaços, percorreu as ruas nas proximidades do local da estreia. A montagem conta com sete artistas, que se revezam nas apresentações sob a direção de Doutor Titetê, interpretado por Cícero Silva, além de convidados especiais. Todas as apresentações, com entrada franca, serão acessíveis em Libras, garantindo a inclusão de todos os públicos.
Recursos e Expansão do Projeto
O projeto foi contemplado com um recurso de R$ 100 mil através de um edital municipal da Política Nacional Aldir Blanc, onde obteve o primeiro lugar. “Essas iniciativas são fundamentais para a realização do Garagens Periféricas, pois sem as leis de incentivo, não conseguiríamos concretizá-lo”, afirmou Cícero.
O desafio agora, conforme Cícero, é expandir a ação: “Queremos ultrapassar a Serra do Curral e levar essa política pública de cultura para outras periferias e cidades mineiras, e até mesmo para outros estados”, concluiu, traçando planos ambiciosos para o futuro da cultura e do circo em Minas Gerais.

