Uma Noite de Reconhecimento Internacional
No último domingo (11), o Globo de Ouro 2024 surpreendeu ao focar em artistas de fora dos Estados Unidos, ignorando as tradicionais discussões políticas que costumam marcar a cerimônia. “Uma Batalha Após a Outra” confirmou seu favoritismo ao conquistar quatro estatuetas, incluindo filme de comédia, direção e roteiro, além do prêmio de atriz coadjuvante para Teyana Taylor. O Brasil, por sua vez, também se destacou, com o longa nacional “Valor Sentimental” competindo de igual para igual e garantindo um lugar de destaque entre os longas estrangeiros.
Enquanto o clima na ala cinematográfica era mais tenso do que na parte televisiva, a obra de Paul Thomas Anderson se impôs, deixando “O Agente Secreto” para trás em suas categorias. A competição pelo Oscar, que se aproxima em março, promete ser acirrada, com o brasileiro Wagner Moura levando o troféu de ator em drama e Timothée Chalamet sendo premiado por sua atuação em comédia.
Reconhecimento para Todos os Gêneros
Entre as mulheres, Jessie Buckley, de “Hamnet”, foi a escolhida na categoria drama, enquanto Rose Byrne levou o prêmio de comédia por seu papel em “Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria”. O prêmio de melhor coadjuvante masculino foi para Stellan Skarsgard, reconhecido por “Valor Sentimental”, consolidando a força das produções brasileiras no evento.
O filme “Pecadores” também se destacou, recebendo prêmios de melhor blockbuster e trilha sonora, enquanto “Guerreiras do K-Pop” foi laureado como melhor animação e melhor canção original pela faixa “Golden”. Ambos os filmes empataram com “Hamnet” e “O Agente Secreto”, com duas estatuetas cada, refletindo uma propensão crescente por narrativas que fogem do padrão hollywoodiano.
Televisão com Resultados Previsíveis
No campo da televisão, as surpresas foram escassas. A série médica “The Pitt” foi aclamada como melhor série de drama, enquanto Noah Wyle, o protagonista, recebeu o prêmio de ator. Como se esperava, “O Estúdio” venceu na categoria de comédia, com Seth Rogen sendo premiado como ator. Durante seu discurso de agradecimento, Rogen fez graça com os veteranos Steve Martin e Martin Short, que também estavam presentes.
O prêmio de minissérie foi para “Adolescência”, cuja vitória já havia sido antecipada durante o Emmy. A produção da Netflix não só conquistou o prêmio principal, mas também os de ator e coadjuvante nas categorias, mostrando a popularidade das histórias que se passam nas Ilhas Britânicas.
Um Toque de Humor em Meio a Tensão
A cerimônia foi conduzida por Nikki Glaser, que trouxe um tom leve e divertido, livrando o evento da gravidade que muitas vezes o acompanha. Glaser fez piadas com diversas personalidades, como Leonardo DiCaprio e George Clooney, e não hesitou em criticar a Paramount — responsável pela transmissão do evento — por sua suposta censura a conteúdos críticos sobre Donald Trump.
Embora a edição desse ano tenha corrigido problemas técnicos enfrentados anteriormente, a decoração do salão do Beverly Hilton apresentou desafios, com Jean Smart comentando a dificuldade de se locomover entre as cadeiras, uma situação que fez Adam Sandler passar boa parte da noite em pé, indicando o caminho para os colegas.
Uma Cerimônia Marcada pela Controvérsia
O fato de o Globo de Ouro ter sido veiculado pela Paramount, empresa que enfrentou acusações de censura, pode ter contribuído para a falta de críticas diretas a Trump, contrastando com momentos de protesto que marcaram a cerimônia de anos anteriores. Durante o tapete vermelho, muitos artistas usaram broches em protesto contra o ICE, serviço de imigração dos Estados Unidos, gerando um clima de insatisfação sem palavras explícitas.
Paul Thomas Anderson, ao receber o prêmio de melhor roteiro, fez uma referência à frase de Nina Simone, “a liberdade é não ter medo”, encapsulando a essência de seu filme que critica a polarização política. Judd Apatow, por sua vez, não hesitou em afirmar que acredita estar vivendo sob uma ditadura, enquanto Jean Smart, conhecida por seus comentários incisivos, deixou claro que já havia expressado tudo o que pensava no tapete vermelho.
Com tantas homenagens a artistas internacionais, incluindo o brasileiro Wagner Moura, o Globo de Ouro pareceu buscar um refúgio em histórias de fora do país, tentando desviar o olhar dos dilemas que assolam a política americana. Neste contexto, o evento se transformou em uma celebração da diversidade e do talento mundial, revelando uma Hollywood em busca de novos horizontes.

