Tensão no Oriente Médio Impacta o Mercado Global
Na manhã desta segunda-feira, 2 de outubro, o cenário econômico global sofreu um impacto significativo após a ofensiva militar dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. O ataque resultou na morte de centenas de pessoas, incluindo o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, e outras figuras importantes. A repercussão foi imediata no mercado internacional, onde os preços do petróleo dispararam.
Logo após o meio-dia, o contrato futuro do petróleo Brent, que é a referência global para a commodity, estava sendo negociado em Londres a cerca de US$ 79 o barril, marcando uma alta de aproximadamente 7,6%. O WTI, negociado em Nova York, também registrou uma valorização, sendo cotado a pouco mais de US$ 71 por barril, com um aumento de cerca de 6%.
No Brasil, os efeitos não foram diferentes. As ações da Petrobras avançaram 3,9% na B3, sendo comercializadas a R$ 44,39 no início da tarde. Esse movimento do mercado reflete a preocupação crescente com a instabilidade na região, especialmente em relação ao Estreito de Ormuz.
Preocupação com o Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz, corredor estratégico localizado ao sul do Irã e que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, se tornou o foco das atenções. Aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo e gás transita por essa importante via marítima. Segundo o economista Rodolpho Sartori, da Austin Rating, a segurança dessa rota é crucial para a estabilidade do mercado de petróleo.
“Se o Estreito de Ormuz for fechado, haveria um choque imediato na oferta global”, alerta Sartori, enfatizando que isso elevava os preços quase que instantaneamente. Recentemente, surgiram relatos de diversas embarcações ancoradas sem poder atravessar a passagem, evidenciando a gravidade da situação.
Enquanto os conflitos persistirem e houver risco de interrupções prolongadas, os preços do petróleo devem continuar elevados. A situação da logística é uma preocupação adicional, como destaca Otávio Oliveira, gerente de tesouraria do Banco Daycoval. “O problema central não é a produção, mas sim a logística”, afirmou.
Logística e Impactos Inflacionários
Oliveira lembrou que a Opep+ já anunciou um aumento na oferta para compensar eventuais perdas, com capacidade ociosa suficiente para suprir parte da produção iraniana caso o país se retire temporariamente do mercado. No entanto, o gargalo logístico, especialmente no Estreito de Ormuz, permanece. “Em uma situação de guerra, o risco de interrupções é real”, disse.
Essa possível desorganização nas cadeias globais de suprimentos pode ter um impacto significativo no Brasil, que, embora seja um exportador de petróleo bruto, ainda depende da importação de derivados. Sartori acrescenta que, se o conflito se arrastar, o aumento nos preços da energia pode ser repassado aos consumidores, causando um novo impulso inflacionário.
Pressão sobre Juros e Câmbio
O cenário de incerteza também traz desafios para a política monetária. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil sinalizou a intenção de reduzir a taxa básica de juros na próxima reunião, com a Selic atualmente em 15% ao ano. Oliveira acredita que o corte pode ser mais modesto do que o inicialmente esperado, passando de uma redução de 0,50 para 0,25 ponto percentual, em função do risco de um novo aumento da inflação.
O câmbio não ficou imune às oscilações. O dólar, que vinha de uma trajetória de queda, voltou a subir, atingindo cerca de R$ 5,20, com valorização próxima de 1%. Segundo Oliveira, essa valorização é resultado da “fuga para ativos seguros” por parte dos investidores, que buscam proteção em moedas consideradas mais fortes, como o dólar e o iene.
Sartori também alerta que o comportamento do dólar pode ser menos previsível do que em crises anteriores, devido a fatores políticos ligados à administração do presidente Donald Trump. A expectativa é que a moeda americana oscile entre R$ 5,20 e R$ 5,25 no curto prazo.
Os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e a situação crítica do Estreito de Ormuz continuarão a ser variáveis centrais que influenciarão a trajetória das commodities, a inflação e a política monetária nas próximas semanas.

