Novas Iniciativas para Inclusão e Saúde
Nos últimos anos, o Governo do Amazonas tem intensificado a implementação de políticas públicas focadas em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O objetivo é expandir o acesso a serviços de saúde, educação inclusiva e assistência social. Essas iniciativas representam um marco na história da saúde do estado, buscando não apenas garantir qualidade de vida, mas também promover a inclusão e assegurar direitos fundamentais para esse público e suas famílias.
O TEA é uma condição neurológica que impacta a comunicação, o comportamento e a interação social, necessitando de acompanhamento especializado. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima-se que 43.983 pessoas tenham o diagnóstico de autismo no Amazonas, representando 1,1% da população do estado.
Com o aumento na identificação de casos e na demanda por atendimento, o Amazonas está estruturando uma rede de apoio mais integrada, com ações que envolvem múltiplas áreas da gestão pública.
Fortalecimento do Atendimento Multiprofissional
Na esfera da saúde, um dos focos é o fortalecimento do atendimento multiprofissional. Nos últimos doze meses, foram inaugurados três Centros de Atenção Integral à Criança (Caics) com atenção especial ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Recentemente, na quinta-feira (09/04), foi aberto o Centro de Atenção Integral Juventude TEA, voltado para atender jovens entre 12 e 18 anos.
Esses novos centros ampliam a rede de serviços especializados e consolidam uma política pública iniciada em junho de 2025, que já contabiliza mais de 40 mil sessões terapêuticas na capital. As unidades, integradas à rede de atenção especializada da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), estão projetadas para oferecer um acompanhamento multidisciplinar a crianças e adolescentes, com terapias individualizadas em ambientes que promovem o desenvolvimento cognitivo, emocional e social.
Além disso, esses espaços são projetados para acolher as famílias, proporcionando orientação e suporte durante o processo terapêutico, fortalecendo assim o vínculo entre a equipe de saúde e os responsáveis. Para os pais e responsáveis, o acesso a essas estruturas representa um avanço significativo no desenvolvimento das crianças e adolescentes assistidos pela rede pública.
“O espaço está maravilhoso, reformulado. Era incrível e agora melhorou ainda mais. Essa ampliação do atendimento é uma ajuda que estava faltando na nossa cidade. Fico muito feliz e aliviada”, compartilhou Euzilane Vieira, de 41 anos, mãe de uma criança com autismo atendida na rede pública.
Cidadania e Direitos
Além das iniciativas de saúde, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEPcD) desempenha um papel essencial ao oferecer acesso à Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea). Este documento, oficial e gratuito, é um instrumento crucial para garantir direitos, facilitar o acesso a serviços e promover dignidade às pessoas com autismo.
Lançada em 2021, a Ciptea é válida em todo o país e está disponível em formatos físico e digital. Desde sua criação, já foram emitidas mais de 20 mil carteiras, com mais de 1.100 documentos entregues somente em 2026, na capital e em municípios do interior do Amazonas.
Marina Valéria, de 36 anos, mãe do pequeno Gabriel Salomão, de 4 anos, relatou como a emissão da Ciptea facilita o acesso a direitos que tornam o dia a dia mais prático. “Com a Ciptea, consegui emitir o cartão de vale-transporte dele, pois as clínicas onde ele faz terapia são muito longe. Agora, posso aproveitar mais momentos, como levar meu filho ao cinema”, contou.
Educação Inclusiva
No campo educacional, as políticas de inclusão têm sido ampliadas para assegurar o acesso e a permanência de alunos com autismo nas escolas estaduais. O Governo do Amazonas oferece mediadores para acompanhar esses estudantes na educação regular.
A rede estadual também conta com uma escola voltada exclusivamente para a educação especial nos anos iniciais, além de outra que atende alunos a partir de 14 anos, com foco em oficinas e atendimento especializado por meio da Escola Estadual de Atendimento Específico (EEAE) Mayara Redman Abdel Aziz.
Durante o período de matrícula, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) disponibiliza um tempo exclusivo para que os responsáveis realizem as matrículas dos alunos com autismo antes da abertura geral.
Capacitação e Formação Profissional
A capacitação de profissionais para atuar no acompanhamento e inclusão social de pessoas autistas também é uma prioridade do Governo do Estado. O Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam) tem ampliado a oferta de cursos voltados ao atendimento e acolhimento de pessoas com TEA.
Recentemente, 17 turmas foram destinadas a municípios, e mais dez cursos estão disponíveis na capital, focados em Auxiliar em Terapia ABA, Agente de Inclusão para Pessoa com TEA, Assistente Terapêutico e Informática Básica para Pessoas com TEA. Essa formação é essencial para atender a uma demanda crescente na sociedade.

