Desvendando a legislação que garante jornada reduzida para algumas categorias de saúde
Trabalhar apenas 4 horas por dia é um privilégio que parece distante para muitos brasileiros em 2026. No entanto, no setor da saúde, essa realidade é garantida por leis federais. Mesmo assim, é alarmante que muitos profissionais ainda não conheçam ou não consigam reivindicar esse direito. Este artigo explora as normas que asseguram jornadas reduzidas e os desafios enfrentados na sua aplicação.
O que motiva a jornada reduzida para algumas profissões na saúde? A legislação brasileira reconhece que certas atividades na área da saúde estão associadas a riscos físicos, químicos e biológicos elevados. Dessa forma, para proteger a integridade dos trabalhadores e reduzir a incidência de doenças ocupacionais, o tempo de exposição foi restringido.
Em 2026, a ampliação da fiscalização digital e do ponto eletrônico trouxe maior visibilidade ao descumprimento dessas normas. Isso resultou em um aumento de ações trabalhistas e condenações, especialmente em hospitais e instituições públicas. Os profissionais da saúde devem estar cientes de seus direitos e exigir que sejam respeitados.
Quais categorias têm direito à jornada de 4 horas diárias?
Algumas profissões possuem o direito de trabalhar apenas 4 horas diárias garantido por leis federais, tornando essa regra obrigatória e não sujeita a negociações contratuais. Entre as principais categorias que gozam desse direito estão:
- Radiologistas: jornada máxima de 4 horas diárias e 24 horas semanais, conforme a Lei nº 7.394/85.
- Médicos: jornada limitada a 4 horas diárias, de acordo com a Lei nº 3.999/61.
- Cirurgiões-dentistas: seguem a mesma regra de jornada estabelecida pela Lei nº 3.999/61.
Entendendo as Leis 7.394/85 e 3.999/61
A Lei nº 7.394/85 é clara ao estipular a jornada de trabalho para profissionais da radiologia, levando em consideração a exposição à radiação ionizante. Essa norma não só limita as horas trabalhadas, mas também assegura férias semestrais de 20 dias, reforçando a proteção ao trabalhador.
Por outro lado, a Lei nº 3.999/61 define a jornada-base para médicos e dentistas em até 20 horas semanais. Embora a legislação fixe um piso salarial, isso não impede que jornadas mais longas sejam acordadas, desde que o pagamento seja proporcional.
Por que a jornada reduzida ainda é descumprida?
Apesar da legislação clara, muitos empregadores tentam contornar essas regras utilizando contratos de trabalho como Pessoa Jurídica (PJ) ou cooperativas. No entanto, a Justiça do Trabalho aplica o princípio da primazia da realidade, reconhecendo o vínculo empregatício quando há subordinação e horários fixos estabelecidos.
Além disso, tribunais concordam que os limites de jornada relacionados à saúde do trabalhador são normas de ordem pública, ou seja, nem acordos coletivos podem excluir a proteção legal em atividades consideradas de risco.
Como os profissionais podem exigir a jornada correta?
Para reivindicar o cumprimento da jornada de 4 horas, o primeiro passo é revisar o contrato de trabalho e verificar se as leis específicas da categoria estão mencionadas. É crucial armazenar escalas de trabalho, registros de ponto e comprovantes de plantão, pois esses documentos podem comprovar a jornada excessiva.
Especialistas recomendam que, em caso de irregularidades, o profissional busque apoio no sindicato ou em uma assessoria jurídica trabalhista. Em 2026, decisões judiciais têm reforçado que a jornada reduzida não é um privilégio, mas sim uma garantia legal, essencial para a proteção da vida dos trabalhadores.
Respeitar a jornada de 4 horas diárias na área da saúde não é uma mera opção do empregador, mas uma obrigação legal, que valoriza os profissionais que atuam sob condições de alto risco constantemente.

