A Nova Onda de Kim Kataguiri
Kim Kataguiri, jovem liderança do Movimento Brasil Livre (MBL), está prestes a completar 30 anos no próximo dia 28 de janeiro e deseja mais do que apenas comemorações. Ele, que se destacou nos protestos pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), foi eleito deputado federal pelo União Brasil em São Paulo, com 295.460 votos, ocupando o oitavo lugar entre os mais votados. Agora, o político pode migrar para o recém-criado partido Missão, o qual está vinculado ao MBL e é presidido por Renan Santos, que já se posiciona como pré-candidato à Presidência da República.
Aos 30 anos, Kataguiri mostra-se habilitado a disputar um cargo de governador e não descarta a ideia de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes neste ano, o que, segundo ele, pode substituir sua busca pela reeleição. “Fico feliz que um dos principais pontos de crítica contra a gente seja a acidez, seja ser incisivo, agressivo”, afirmou. Para quem não suporta essa abordagem, ele aconselha: “Aí, meu amigo, é melhor ficar em casa, porque política é guerra”.
Reflexões sobre a Política e o Legislativo
Durante uma entrevista, Kim refletiu sobre sua trajetória no Parlamento e como isso moldou sua visão política. “É diferente ter a percepção de fora de que as coisas estão ruins e depois conhecer o Parlamento. A realidade é ainda pior. A corrupção está arraigada nos Poderes”, disse. Enquanto se preocupava com os debates e a estrutura do país, ele revelou que se decepcionou ao perceber que o Poder Executivo possui um papel mais relevante para promover reformas estruturantes.
Ao ser questionado sobre suas intenções para o futuro, Kataguiri confirmou que pretende sim se candidatar a um cargo Executivo. “É uma decisão que vamos tomar em julho, com o partido, para saber se disputo a reeleição ou o Governo”, explicou. Apesar de não estabelecer uma meta específica, ele expressou otimismo em relação a eleger deputados do novo partido Missão, afirmando que o pior cenário seria conseguir cinco cadeiras na Câmara dos Deputados. Isso, segundo ele, é o mínimo necessário para participar dos debates de TV nas eleições de 2028 e 2030.
Sua Posição nas Próximas Eleições
Na questão da presidência, Kataguiri não hesita em afirmar que não votará em nenhum dos candidatos mencionados, como Lula, Flávio Bolsonaro ou Tarcísio de Freitas, optando pelo apoio a Renan Santos. Ao ser perguntado sobre um possível segundo turno, Kataguiri afirmou que não trabalha com essa hipótese.
Em relação ao papel do Supremo Tribunal Federal e sua relação com o Legislativo, ele expressou preocupações profundas. Kataguiri alega que a Constituição brasileira concede poderes excessivos ao STF, permitindo que questões legislativas sejam decididas por eles. “A gestão Rosa Weber queria legislar sobre aborto, drogas, terras indígenas. Tudo isso é de competência do Legislativo”, protestou.
Além disso, ele destacou que, embora respeite as leis, acredita que a Constituição de 1988 falhou em diversos aspectos. “Precisamos falar de uma nova Constituição, porque a nossa já nasceu velha e colaborou para o fracasso que vivemos hoje em praticamente todos os setores”, enfatizou Kataguiri.
Analisando o Futuro do MBL
Famoso por suas táticas disruptivas, como o uso de memes, Kataguiri mantém uma visão clara sobre a comunicação do MBL. Ele acredita que a acidez e a agressividade são necessárias em um campo de batalha político, onde se encontra em desvantagem em relação a adversários mais poderosos, como o petismo e o bolsonarismo. “A política é guerra. Como dizia Churchill, ela não é menos violenta, nem menos sangrenta. A diferença é que na política você consegue morrer várias vezes”, concluiu. Kataguiri reafirma que o MBL não tem arrependimentos em relação à sua postura e campanhas passadas.
Raio-X de Kim Kataguiri
Nascido em 28 de janeiro de 1996, em Salto (SP), e criado em Indaiatuba (SP), Kim Kataguiri se destacou nas eleições de 2018 e foi reeleito em 2022. Com 1,9 milhão de seguidores no Instagram, 1,6 milhão no Facebook, e 1,5 milhão no TikTok, ele tem um canal no YouTube com 1,95 milhão de inscritos. Desde 2019, acumula 31 faltas na Câmara, sendo autor de importantes projetos sobre incentivos fiscais para a produção de chips e marcos legais para startups e jogos.

