A Trajetória da LCM no Cenário Nacional
A LCM, conhecida como a “campeã do asfalto”, viu sua atuação se transformar drasticamente desde sua fundação em 2014. Inicialmente com um desempenho modesto, a empresa passou a dominar o ranking de construtoras após firmar 128 contratos com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em 22 estados. Sob a presidência de Luiz Otávio Fontes Junqueira, a LCM alcançou um faturamento impressionante, totalizando R$ 6,6 bilhões em obras durante o governo Bolsonaro, conforme valores corrigidos pela inflação.
Em comparação, a Construtora Luiz Costa Ltda. recebeu R$ 4,8 bilhões por meio de 19 contratos, enquanto a V. F. Gomes Construtora Ltda. fechou R$ 2,4 bilhões em 45 contratos. Por último, a Construtora Caiapó Ltda. firmou 16 contratos, totalizando R$ 1,54 bilhão. A ascensão da LCM ilustra a crescente demanda por obras de infraestrutura no Brasil, embora sua trajetória não esteja livre de controvérsias.
Desafios e Controvérsias no Setor
A escalada da LCM se deu em um ambiente marcado pela queda das grandes empreiteiras, que enfrentaram sérios desafios devido às investigações da Operação Lava-Jato. Em 2015, Junqueira declarou que sua empresa se beneficiaria do espaço deixado por aquelas que eram alvo de apuração. Tais comentários levantam questões sobre a relação da LCM com o governo e sua adaptabilidade às mudanças do cenário político e econômico.
As relações da LCM se estendem além do governo federal. A empresa possui contratos no valor de R$ 75,6 milhões com a gestão do governador Romeu Zema, do partido Novo, em Minas Gerais. Essa capacidade de transitar por diferentes linhas políticas demonstra a habilidade de Junqueira em construir alianças no setor público, mas, ao mesmo tempo, levanta suspeitas sobre a ética nos negócios.
Investigações em Andamento
No entanto, a situação se complica com as investigações da Polícia Federal, que em julho do ano passado, apontaram Junqueira como suspeito de fraudar licitações do Dnit no estado do Amapá. A investigação sugere que ele atuava em conluio com empresas ligadas a Breno Chaves Pinto, suplente do senador Davi Alcolumbre, atual presidente do Senado. As suspeitas estão conectadas a obras na BR-156, evidenciando um possível esquema de corrupção no setor público.
A LCM, em nota, alega que seu volume de contratações é resultado de sua capacidade técnica e do compromisso de seus colaboradores. A empresa nega irregularidades e afirma que tem colaborado com as investigações e esclarecido todos os questionamentos feitos pelos órgãos competentes. “Sua atuação perante o Poder Público é inspirada nos mais rigorosos princípios éticos, legais e de governança”, reitera a nota.
Ligações Políticas e Suspeitas de Cartel
Alcolumbre, por sua vez, negou qualquer relação com as empresas envolvidas nas investigações, enquanto o Dnit afirma estar cooperando plenamente com as apurações. A investigação também revelou que o superintendente do Dnit no Amapá esteve envolvido em diálogos com representantes da LCM, demonstrando um padrão de comunicação que precedia a divulgação de editais de licitação.
Além disso, as suspeitas sobre a LCM não se limitam ao Amapá. A Controladoria-Geral da União (CGU) também está investigando a empresa por irregularidades em uma obra da BR-367, que liga Minas Gerais à Bahia. Relatórios indicam que a LCM apresentou informações falsas, recebendo pagamentos por serviços que não foram realizados.
Implicações e Desdobramentos
As investigações da CGU e do Cade também apontam para a possibilidade de formação de cartel em pelo menos cinco estados. Os dados coletados revelam que a LCM e outras duas construtoras podem ter atuado juntas em licitações, o que comprometeria a integridade do processo licitatório. Em algumas auditorias, foram encontrados pagamentos feitos pelo Dnit mesmo após avisos de irregularidades, evidenciando uma série de falhas nos processos de controle financeiro.
Enquanto a LCM tenta se afastar das suspeitas, o futuro da empresa pode estar em risco caso as investigações comprovem as fraudes alegadas. A construção civil no Brasil, que já enfrenta desafios significativos, pode ver sua reputação ainda mais abalada se a LCM, uma das maiores do setor, for associada a práticas ilícitas. Com isso, a transparência nas contratações públicas e a ética nas relações entre o setor privado e o governo se tornam tópicos cada vez mais relevantes na pauta política brasileira.

