Iniciativas Criativas e Sociais no Coração de Salvador
Nesta quinta-feira (12), a renomada economista Mariana Mazzucato, que é diretora do Institute for Innovation and Public Purpose (IIPP) da University College London (UCL), realizou uma visita à Senzala do Barro Preto, sede do famoso bloco afro Ilê Aiyê, localizado em Salvador. Durante sua passagem, Mazzucato teve a oportunidade de conhecer de perto o trabalho voltado à Economia Criativa desenvolvido pela entidade, que é um dos principais blocos de sua categoria no Brasil.
A visita faz parte de uma missão internacional que busca aprofundar a pesquisa sobre cultura, economia criativa e o Carnaval brasileiro, resultado da colaboração entre o Ministério da Cultura e o IIPP-UCL, contando também com a cooperação técnica da Unesco.
O Ilê Aiyê se destaca não apenas pelo seu papel no Carnaval, mas também por seu relevante trabalho social na comunidade do Curuzu. A sede do bloco abriga uma escola de educação infantil gratuita que atende crianças da 1ª à 4ª série, além de oferecer aulas de corte e costura. Essas iniciativas geram em torno de 250 empregos permanentes e, durante o Carnaval, mais 100 postos de trabalho temporários são criados, contribuindo significativamente para a economia local.
Na sede do bloco, são confeccionadas e comercializadas mais de três mil fantasias que desfilam durante o Carnaval. Além disso, toda parte logística, como a montagem de instrumentos e a preparação de alimentos para a equipe de apoio, é realizada no local, envolvendo a comunidade nas diversas etapas que compõem essa grande festa popular.
Edmilson das Neves, um dos diretores do Ilê Aiyê, ressaltou que a prioridade da instituição vai além das fantasias de Carnaval, enfatizando a importância dos programas de inserção social. “O Ilê é uma referência na comunidade, e nosso foco é o trabalho sociocultural, que combate o racismo e promove a inclusão social”, afirmou. Edmilson também destacou a força feminina dentro do bloco, mencionando que 80% dos integrantes são mulheres, o que torna o Ilê Aiyê uma entidade matriarcal.
Mariana Mazzucato ficou impressionada com a amplitude dos projetos desenvolvidos pelo Ilê Aiyê, considerando-o um modelo a ser replicado. “O Ilê é um castelo que precisa ser replicado como sistema. É um ótimo exemplo para se seguir”, declarou. Ela sugeriu a realização de intercâmbios e conferências com os integrantes do bloco, visando aprofundar os estudos sobre Economia Criativa que ali são praticados.
O fundador do Ilê, conhecido como Vovô do Ilê, fez uma analogia com as senzalas do passado, afirmando que a Senzala do Barro Preto não representa dor, mas sim acolhimento, autoestima e transformação. “Aqui oferecemos um espaço de acolhimento e desenvolvimento”, destacou.
A visita de Mazzucato à Senzala do Barro Preto também incluiu a participação na abertura oficial do Carnaval. Ela se reuniu com a vice-prefeita de Salvador e secretária municipal de Cultura e Turismo, Ana Paula Matos, para discutir possíveis ações de cooperação que possam aprimorar ainda mais a festa soteropolitana. Ana Paula enfatizou a importância da presença do Ministério da Cultura nesse processo, afirmando: “Quero estar ao lado de vocês e que essa pesquisa nos ajude a enxergar nossas potencialidades”.
A gestão da vice-prefeita destacou que o Carnaval em Salvador gera cerca de 250 mil postos de trabalho e que a Prefeitura realiza ações de acolhimento à saúde para crianças de trabalhadores do evento, garantindo que eles tenham onde deixar seus filhos enquanto se dedicam ao circuito da folia.
A missão internacional de pesquisa de campo sobre cultura, economia criativa e Carnaval não se limitou apenas à capital baiana; ela também passou por cidades como Rio de Janeiro e Brasília. Esta iniciativa é parte do esforço do Governo do Brasil para reposicionar a cultura como um eixo estratégico para o desenvolvimento nacional, integrando-o ao planejamento estatal e ao fortalecimento das capacidades públicas.

