A Cultura como Ferramenta de Inclusão e Transformação Social
À frente da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativa do Estado de São Paulo, Marilia Marton construiu uma carreira marcada pela interseção entre gestão pública e cultura. Ela defende que a percepção contemporânea de cultura ultrapassa as fronteiras das linguagens tradicionais, incorporando o que há de mais recente em tecnologia, design e economia criativa. Para Marilia, é crucial que as políticas culturais evoluam junto com as rápidas mudanças tecnológicas, permitindo que a cultura continue a desempenhar um papel fundamental na formação do pensamento crítico nas comunidades.
Nascida em São Paulo, no dia 23 de julho, e residente no Bom Retiro, a socióloga tem um histórico que se entrelaça com a política desde sua juventude. Iniciou sua trajetória profissional em 1999 na Assembleia Legislativa, onde trabalhou com o deputado Turco Loco, focando em esporte, cultura e juventude. Ao longo dos anos, Marilia passou por diversas experiências em gestão pública, sempre com um olhar atento às questões sociais e culturais, o que a levou a decidir que sua carreira seria na política.
Antes de assumir a secretaria estadual, Marilia teve um papel significativo em São Caetano do Sul, onde sua atuação como secretária de Governo a expôs a uma dinâmica política e administrativa robusta. “Esse período me ofereceu uma visão clara sobre os desafios que a cultura enfrenta na adaptação às exigências do século XXI”, afirmou. Com um mestrado em cidades inteligentes, ela compreende que a identidade cultural do Grande ABC, historicamente vinculada à indústria, precisa se reinventar diante da automação e das novas tecnologias.
Desafios e Oportunidades na Cultura
Uma das suas maiores realizações à frente da secretaria foi a ampliação do ProAC (Programa de Ação Cultural), que se tornou um pilar fundamental para fomentar a cultura em todo o Estado. “Trabalhamos para estimular co-produções entre a Capital e o Interior, criando núcleos criativos e ampliando a presença da cultura em todos os 645 municípios de São Paulo”, destacou.
Abalando estruturas históricas, Marilia também se debruçou sobre a questão do equilíbrio entre investimentos destinados à Capital e ao Interior, promovendo um aumento no fomento em regiões menos favorecidas e incentivando produções cinematográficas fora da metrópole. “Queremos garantir que todas as regiões tenham voz e espaço na cena cultural”, afirmou.
Compreender que a cultura abrange muito mais do que cinema e teatro é outra de suas prioridades. “A cultura agora inclui games, moda, gastronomia e até a publicidade. Precisamos ampliar nosso entendimento e trabalhar com essas novas linguagens”, argumentou. Para isso, Marilia implementou o CultSP Pro, uma escola destinada à formação de novos profissionais da cultura, especialmente após as perdas significativas de mão de obra qualificada durante a pandemia.
O Papel Transformador da Cultura na Educação
A integração da cultura na educação é um ponto que Marilia defende com veemência. Recentemente, uma pesquisa em parceria com a Fundação Itaú demonstrou resultados significativos: crianças que participam de atividades culturais mostram avanços notáveis em cognição e desempenho acadêmico. “Estamos ampliando projetos como o Guri, que já atinge 200 escolas, integrando cada vez mais a cultura no cotidiano das crianças”, ressaltou.
Em tempos de polarização e bolhas sociais geradas pelas redes sociais, Marilia acredita que o papel da cultura é romper com essas limitações. “Cultura incomoda, provoca reflexão e amplia o repertório das pessoas, essencial para uma sociedade diversa e crítica”, enfatizou.
Desafios Futuros e a Importância da Diversidade
Quando questionada sobre os desafios que ainda precisam ser enfrentados, Marilia ressaltou que a cultura está em constante evolução e que o próximo secretário terá que lidar com novas realidades e exigências. “A velocidade das mudanças tecnológicas é um dos grandes desafios. Precisamos de agilidade para não ficarmos para trás”, afirmou.
Ela também destacou a presença crescente de mulheres no espaço cultural e a importância desse protagonismo na luta por igualdade social. “As mulheres estão cada vez mais ocupando papéis de liderança e criatividade na cultura, e isso é vital para o fortalecimento da diversidade e inovação”, concluiu.

