A Desafiante Realidade do Mascaramento
No universo da saúde mental, o conceito de mascaramento, ou camuflagem, se tornou um tema central nas discussões sobre a autenticidade e o bem-estar emocional. Amara Brook, psicóloga clínica, compartilha sua experiência ao lidar com situações em que se sentiu obrigada a seguir normas sociais que não refletiam sua verdadeira essência, especialmente por conviver com o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e autismo. ‘Às vezes, simplesmente temos que fazer o que funciona, sabe?’, diz Amara, reconhecendo a exaustão que vem de viver representando um papel.
O mascaramento é uma estratégia que pode ser útil em ambientes desafiadores, como o local de trabalho. Contudo, para indivíduos autistas e com TDAH, esconder comportamentos considerados não convencionais se torna uma forma de sobrevivência contínua. Essa prática, embora possa parecer útil, pode agravar problemas de saúde mental, levando a um estado de constante vigilância e estresse.
História e Evolução do Conceito
A ideia de mascaramento não é nova; ela ganhou destaque nas discussões acadêmicas nos anos 1960, quando o psicólogo Erving Goffman abordou como o estigma leva indivíduos a esconder partes de suas identidades. Contudo, o termo “masking” foi amplamente utilizado a partir da década de 1970, quando os psicólogos Paul Ekman e Wallace V. Friesen o adotaram para descrever a ocultação de emoções. Nos dias de hoje, a expressão “mascaramento autista” se tornou comum entre pessoas da comunidade autista, que relatam como escondem comportamentos que fogem do padrão social.
Em 2013, a relevância desse conceito foi reconhecida no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, que destacou como os sintomas do autismo podem ser disfarçados por estratégias adquiridas ao longo da vida. A pesquisa nesse campo está em crescimento, com estudos recentes, como o desenvolvimento do Questionário de Camuflagem de Traços Autistas, que busca mensurar essa prática.
Os Benefícios e Riscos do Mascaramento
A camuflagem social não é exclusiva de pessoas neurodivergentes; todos, em algum momento, podem se sentir pressionados a se adaptar para serem aceitos. A sensação de pertencimento é um forte indicativo de bem-estar, como afirma Mark Leary, professor de psicologia da Universidade Duke. No entanto, o mascaramento pode se tornar problemático quando não é uma escolha consciente, mas sim uma necessidade para evitar discriminação ou rejeição.
De acordo com Iris Mauss, professora da Universidade da Califórnia, Berkeley, o mascaramento pode ser empoderador se realizado de acordo com os valores pessoais. ‘Se você valoriza a gentileza, por exemplo, pode optar por não expressar frustração durante uma reunião maçante’, explica. Essa capacidade de adaptação pode, paradoxalmente, enriquecer a compreensão do que realmente significa ser autêntico.
Refletindo Sobre o Mascaramento
Entretanto, é preciso cautela. Sara, outra especialista em saúde mental, alerta que a pressão para se mascarar pode levar a consequências sociais e emocionais negativas. Se você se sente sobrecarregado por essa necessidade, Iris sugere uma autoavaliação: ‘Mascarar me ajuda de maneira geral? Estou prejudicando meus relacionamentos?’. Se a resposta for negativa, talvez seja a hora de reconsiderar essa estratégia.
Encontre Espaços Seguros
Devon Price, psicóloga social, recomenda a busca por ‘espaços seguros’ onde seja possível se mostrar como realmente é, sem o peso do mascaramento. Começar esse processo com o apoio de um profissional pode ser um bom primeiro passo. Além disso, alinhar-se a grupos que reflitam sua identidade, seja um coletivo de apoio para autistas ou um clube de leitura, pode ser essencial para promover a autoaceitação e a compreensão de que não há nada de errado em ser diferente.
Se ao abrir-se você não recebe o apoio esperado, lembre-se de que a receptividade das pessoas pode mudar com o tempo. ‘Às vezes, é necessário que outros compreendam a situação a partir da perspectiva de uma pessoa importante em suas vidas’, conclui Pachankis, ressaltando a importância da empatia nesse processo.

